07/06/2022
06/05/2022
Lanzarote
23/04/2022
01/04/2022
Van Gogh, o Suicidado da Sociedade
Só pintor, van Gogh, e nada mais,
nada de filosofia, mística, ritual, psicurgia
ou liturgia,
nada de história, literatura ou poesia,
estão pintados os seus girassóis de ouro trigueiro; estão pintados como
girassóis e pronto,
mas agora temos de voltar a van Gogh para
entender um girassol ao natural, tal como se
não pode já, para compreender uma tempestade ao natural
um céu tempestuoso,
uma planície ao natural,
deixar de voltar a van Gogh.
24/03/2022
16/03/2022
A China Fica ao Lado
23/02/2022
Submissão
11/02/2022
15/01/2022
A Arte e a Morte
“Também havia uma arcada de
sobrancelhas como céu todo a passar por baixo, verdadeiro céu de violação,
rapto, lava, tempestade, raiva, quer dizer céu teologal ao máximo. Um céu em
arco alto como a trombeta dos abismos, como cicuta bebida em sonhos, um céu
contido em todos os frascos da morte, o céu de Heloísa acima de Abelardo, um
céu de apaixonado suicídio, um céu que tinha as raivas todas do amor.
Era um céu de pecado
protestante, pecado que o confessionário retinha, pecado como os que pesam na
consciência dos padres, verdadeiro pecado teologal.
E agradava-me.
Ela servia numa taberna de
Hoffmann, mas criadinha devassa e ramelosa, devassa e mal lavada criadinha.
Passava por água os pratos, fazia despejos e camas, varria quartos, sacudia baldaquinos
e despia-se à frente da janela como todas as criadas de todos os contos de
Hoffmann.”
Antonin Artaud – “A Arte e a Morte” - 1985
06/01/2022
02/01/2022
O Velho e o Mar
19/12/2021
[O HOMEM-ÁRVORE]
Quem foi Baudelaire?
Quem foram Edgar Poe, Nietzsche, Gérard de Nerval?
Corpos
que comeram
digeriram,
dormiram,
ressonaram uma vez por noite,
cagaram
entre 25 e 30 000 vezes,
e em face de 30 ou 40 000 refeições,
40 mil sonos,
40 mil roncos,
40 mil bocas acres e azedas ao despertar,
tem cada qual de apresentar 50 poemas,
o que realmente não é de mais,
e o equilíbrio entre a produção mágica e a produção automática
está muito longe
de ser mantido,
está todo ele desfeito,
mas a realidade humana, Pierre Loeb, não é isto.
Nós somos 50 poemas,
o resto não somos nós mas o nada que nos veste,
se ri para começar de nós,
vive de nós a seguir.
Ora este nada nada é,
não é qualquer coisa
mas alguns.
Quero dizer alguns homens.
Animais sem vontade nem pensamento próprio,
ou seja sem dor própria,
que em si não aceitam vontade de dor própria
e para forma de viver mais não encontraram
que falsificar a humanidade.
Antonin Artaud - "Eu, Antonin Artaud" - 1988
30/11/2021
O Fogo e as Cinzas
09/11/2021
As Terras de Poente
Ele está seguro em Alamofora. Ninguém lhe pode tocar. Só que a segurança é a mais perigosa de todas as situações.”


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