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17/07/2025

Eyeless in Gaza

"Ten people, including six children, have been killed in an Israeli air strike while waiting to fill water containers in central Gaza on Sunday, emergency service officials say.
Their bodies were sent to Nuseirat's al-Awda Hospital, which also treated 16 injured people including seven children, a doctor there said.
Eyewitnesses said a drone fired a missile at a crowd queuing with empty jerry cans next to a water tanker in al-Nuseirat refugee camp. The Israeli military said there had been a "technical error" with a strike targeting an Islamic Jihad "terrorist" that caused the munition to fall dozens of metres from the target."
BBC.com/news - 14-07-2025

12/06/2022

Fahrenheit 451

“Faz a pergunta a ti mesmo. Que procuramos nós acima de tudo, neste país? As pessoas querem ser felizes, não achas? Não lhes ouviste dizer isso toda a vida? Quero ser feliz, declara cada um. E, bem, são eles felizes? Não velamos nós para que estejam sempre em movimento, sempre distraídos? Não vivemos senão para isso, não é a tua opinião? Para o prazer, para a excitação? E deves concordar que a nossa civilização fornece um e outra à saciedade. 
- Sim. 
- Os negros não gostam de Little Black Sambo. Queimemo-lo. A Cabana do Pai Tomás não agrada aos brancos. Queimemo-la. Um tipo escreveu um livro sobre o tabaco e o cancro do pulmão? Os fumadores de cigarros ficaram consternados. Queimemos o livro. A serenidade, Montag, a paz, Montag. Liquidemos os problemas, ou melhor ainda, lancemo-los no incinerador; os enterros são tristes e pagãos? Eliminemo-los igualmente. Cinco minutos após a morte, todo o individuo vai a caminho do Grande Crematório, por meio dos Incineradores servidos por helicóptero em todo o país. Dez minutos após a morte, o homem nada mais é do que um grão de poeira negra. Não vaticinemos acerca dos indivíduos a golpes de inconsoláveis memórias. Esqueçamo-los. Queimemo-los, queimemos tudo. O fogo é brilhante, o fogo é limpo.” 
Ray Bradbury – “Fahrenheit 451” – 1953

23/02/2022

Submissão

    “A humanidade não me interessava, até me desagradava muito, não considerava de todo os humanos meus irmãos, e ainda menos se tivesse em conta uma fração mais restrita da humanidade, por exemplo os meus compatriotas ou os meus antigos colegas. No entanto, num certo sentido desagradável, tinha de reconhecer que esses seres humanos eram meus semelhantes, mas era justamente essa semelhança que me fazia fugir deles; era necessário uma mulher, era a solução clássica, experimentada, uma mulher é sem dúvida humana mas representa um tipo ligeiramente diferente da humanidade, dá à vida um certo perfume de exotismo. Huysmans teria posto a questão quase nos mesmos termos, a situação não evoluíra desde essa altura senão de maneira informal e negativa, por lenta desagregação, por nivelamento das diferenças – mas mesmo isso tinha sem dúvida sido largamente exagerado.”
Michel Houellebecq – “Submissão” - 2015

13/10/2009

As eleições em Braga

Mesquita Machado é um opositor muito forte: - sustenta-o uma teia clientelar urdida ao longo de 33 anos à frente da Câmara de Braga; - tem a vantagem dos que estão no poder e que usam e abusam das inaugurações como principal instrumento de campanha; - os recursos financeiros que dispõe para a campanha eleitoral são praticamente ilimitados; - é um rosto conhecido, familiar, com o qual muitos bracarenses ainda se identificam; - beneficia do apoio explícito de alguns órgãos de comunicação social locais; - e por fim, mas não menos importante, tem obra realizada.
Qualquer candidato teria imensas dificuldades em derrotá-lo no seu terreno.
Ricardo Rio foi um oponente à altura do desafio. Perdeu, mas tem todas as condições para sair vitorioso nas eleições de 2013, desde que não repita os erros cometidos nestas eleições. O principal erro residiu na constituição da lista à Câmara Municipal, onde Ricardo Rio lidera uma equipa, que certamente será valorosa, mas à qual não se conhece uma única ideia para Braga, qualquer intervenção cívica ou mérito especial. Ricardo Rio falou sempre sozinho, e para derrotar Mesquita Machado era necessário trabalho de equipa; - o pouco destaque que deu aos jovens nas diversas listas, também o enfraqueceu em relação ao seu principal opositor; - o apoio dado a candidatos como Seco Magalhães em Maximinos e a António Machado em Fraião, entre outros, foi embaraçoso para a sua mensagem de mudança; - o discurso mole em relação à substituição de chefias, de protagonistas e rostos do “Mesquitismo”, além de não conquistar qualquer voto nesse terreno, induz mais dúvidas nos indecisos e torna ainda mais penosa a transferência de votos “úteis” dos eleitores habituais do Bloco de Esquerda.
Vamos ver o que nos reserva o último mandato autárquico de Mesquita Machado e esperar que Ricardo Rio seja consequente com a confiança demonstrada por mais de 41.000 bracarenses.

08/10/2009

02/10/2009

O Balanço Negro da Cultura

A cultura tem sido sistematicamente o parente pobre da governação de Mesquita Machado à frente da Câmara de Braga. As expectativas para o mandato que agora termina não eram naturalmente muitas, não se esperava muito mais do que é costume, mas a reabertura do Teatro Circo e a promessa feita na ressaca da perda da Capital Europeia da Cultura para Guimarães, que Braga seria capital da cultura todos os dias, poderiam ser um prenúncio que algo iria mudar.
Infelizmente, confirmaram-se as piores expectativas e o balanço apresentado por Mesquita Machado dos quatro anos de mandato é disso o exemplo mais esclarecedor: Teatro Circo; “Braga Romana”; Mimarte – Festival de Teatro de Braga; Salas de Ensaio para bandas musicais; início da construção da Escola de Música no Carandá; projecto de requalificação da antiga Estação da CP.
O Teatro Circo reabriu há três anos e as expectativas criadas à sua volta foram completamente defraudadas, não conseguindo gerar qualquer dinâmica cultural na cidade. Os custos de funcionamento são elevadíssimos, muito contribuindo as remunerações principescas do Director Artístico Paulo Brandão e do Administrador-Delegado Rui Madeira, sem que daí resultem quaisquer mais-valias em termos de programação, que se limita a cumprir os serviços mínimos. Mais grave foi a opção pela construção do Palco Alternativo no piso inferior, que fez disparar a factura final da obra para inacreditáveis 25 milhões de euros. Em três anos de funcionamento realizaram-se pouco mais de 100 eventos nesse Palco, a esmagadora maioria dos quais apresentações da Companhia de Teatro de Rui Madeira. A opção correcta teria sido reabilitar o Teatro Circo na sua forma tradicional e utilizar o dinheiro esbanjado na sala de Rui Madeira para dotar a cidade de um Centro Cultural polivalente.
A inclusão da “Braga Romana” na actividade cultural é, no mínimo, hilariante: - tendas a vender todo o tipo de bugigangas, são cultura? - Barracas com comes e bebes, são cultura? – Mesquita Machado vestido com um lençol branco, é cultura?
Evidentemente, a “Braga Romana” nos moldes que é realizada não é cultura, mas sim animação de rua. Por este andar ainda vamos ver o jogo da sueca passar por cultura…
O Festival de Teatro Mimarte é uma boa iniciativa, que deve manter-se e alargar a sua intervenção a outros locais do Concelho de Braga.
Em relação às Salas de Ensaio para bandas de música instaladas numa das bancadas no Estádio 1.º de Maio, são relevantes, mas são uma obra do mandato autárquico de 2005. O desespero e a míngua de realizações na área cultural é tanta, que não houve outra solução para apresentar meia dúzia de linhas na acção cultural da Câmara, senão recorrer a obras de mandatos anteriores.
Por fim, a Escola de Música no fracassado Mercado Cultural do Carandá e o projecto de requalificação da antiga Estação da CP. Falamos aqui de propostas, ideias, projectos, promessas sempre adiadas, e não de obra feita.
Num tempo em que a cultura é considerada como um factor determinante para o desenvolvimento económico e social, com reflexos directos em áreas tão distintas como a indústria, comércio, turismo, educação, criação artística, investigação, tecnologia, atracção de novos habitantes e investimentos, etc., é penoso vermos a cidade de Braga desperdiçar todo o seu enorme potencial. Assim não vamos lá.
[também publicado na edição de 07/10/2009 do jornal Diário do Minho]

24/09/2009

A Cultura da Falácia

Mesquita Machado mostra o que faz. E diz que incentivou "o quadro de apoio à produção cultural bracarense, citando o exemplo das Salas de Ensaio para bandas musicais de todo o Concelho", a propósito das salas de ensaio instaladas numa das bancadas do Estádio 1.º de Maio.
Mesquita Machado não diz é que já tinha propagandeado exactamente a mesma coisa nas eleições autárquicas de 2005, quando as salas foram inauguradas.
Como o que Mesquita Machado e a sua equipa têm para mostrar na área da cultura é tão pouco e tão medíocre, têm que se socorrer de tudo - mesmo de obras de mandatos anteriores.

22/09/2009

13/09/2009

Ideias para mais inaugurações

No Correio do Minho de 12 de Setembro, às críticas dos pais dos alunos sobre a falta de condições nas escolas do ensino básico do concelho, Mesquita Machado responde, tipo senhor feudal – BLASFÉMIA!

Na mesma edição do jornal de campanha, dá-se conta da inauguração da Unidade de Autismo da EB1 de Gualtar. O Presidente da Junta, ex-vereador e actual administrador de empresa municipal teria, certamente, que oferecer algo para o seu patrono inaugurar, e não esteve com meias medidas: inaugurou-se uma Unidade de Autismo que já está a funcionar há mais de um ano.
Para continuar esta sanha inauguratória, por que não inaugurar também o Estádio Municipal, o Teatro Circo ou a fonte luminosa da Avenida?

10/09/2009

Princípio de Brito

Quanto maior for o ataque a Mesquita Machado, maior é o número de votos retirados à Coligação Juntos por Braga.

06/09/2009

Crónica de um Fracasso Anunciado

Novo capítulo no longo historial de fracassos da acção cultural da Câmara de Braga. No passado mês de Março, o Pelouro da Cultura anunciou a realização da 1.ª Bienal de Artes Plásticas de Braga. À Bienal podiam candidatar-se os artistas naturais ou residentes em Braga com trabalhos de pintura, fotografia, escultura, instalação, multimédia, performance, etc. As candidaturas seriam apreciadas por uma Comissão de Especialistas nomeada pela Câmara. Com esta iniciativa a autarquia propunha-se “contribuir para o desenvolvimento cultural do concelho” e promover a “divulgação dos artistas plásticos bracarenses”.
A Bienal teria a duração de um mês e meio (de 18 de Setembro a 31 de Outubro), e as exposições decorreriam em 4 locais distintos: Casa dos Crivos, Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, Mosteiro de Tibães e Museu D. Diogo de Sousa.
Era do mais elementar bom senso prever que esta iniciativa estava condenada ao insucesso logo à nascença: - quais os artistas que quereriam participar numa Bienal que não apresentava qualquer estratégia, programa ou ambição e que se restringia apenas aos artistas bracarenses? – Que interesse havia em participar numa Bienal que não tinha qualquer prémio? - E cuja organização, ainda por cima, não se responsabilizava por qualquer dano ou extravio das obras, tendo que ser os artistas a pagar o seguro?
Por outro lado, os artistas bracarenses sendo conhecedores do desprezo crónico que a autarquia sempre dedicou à arte e à cultura, estranhariam o oportunismo da realização de uma Bienal em época de eleições. Obviamente, que os artistas não quereriam ser ingénuos instrumentos de um poder municipal que apenas pretendia dar a aparência de ser sensível às artes plásticas.
Pelos pressupostos enunciados, aguardávamos com natural expectativa a concretização da 1.ª Bienal de Artes Plásticas de Braga a realizar-se este mês.
Foi sem surpresa, que uma pomposa Bienal rapidamente se transformou numa modesta Mostra. O evento que deveria decorrer em 4 locais distintos da cidade vai restringir-se apenas ao Museu D. Diogo de Sousa. O que se previa que duraria um mês e meio vai agora ser despachado apressadamente em curtos 15 dias (de 4 a 20 de Setembro).
Tudo isto seria apenas deprimente, se não fosse tão inquietante: - que imagem passa da nossa cidade para o exterior, quando qualquer cidade ou vila de Portugal (Vila Nova Cerveira, Vila Verde, Porto Santo, Amadora, Caminha, Chaves, etc., etc.) consegue realizar uma Bienal de Artes e aquela que se diz a terceira cidade do país não é capaz disso? – Se não são capazes sequer de organizar uma mera Bienal de Artes Plásticas, como queriam realizar uma Capital Europeia da Cultura?
Qual a imagem dos artistas bracarenses que vai perpassar para os turistas e demais visitantes pelo que é apresentado no Museu D. Diogo de Sousa?
A responsável do Pelouro da Cultura de Braga anunciou com a sua habitual fleuma, que “mercê de contingências inerentes a uma primeira edição, esta Bienal de Artes Plásticas registou uma baixa adesão, não alcançando muitos dos objectivos que lhe estão subjacentes.” Acrescentando que na próxima Bienal vão reformular o Regulamento. Será que andam a treinar a organização de Bienais?
(também publicado na edição de 09/09/2009 do jornal Diário do Minho)