22/06/2026

Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico

“A grande originalidade da agricultura mediterrânea consiste, porém, na produção, em larga escala, do vinho e do azeite.
A vinha encontra aqui o optimum da sua cultura: o ar seco, a temperatura mais constante durante os meses de maturação do fruto, fazem com que ela se defenda melhor dos seus inimigos naturais. Os maiores produtores de vinho do mundo, excepto a França, são os países mediterrâneos e o lugar dele nas exportações é essencial.
Estes vinhos, que se conhecem por nomes eufónicos, ricos de álcool, perfumados, luminosos, fortes e contrastados como a paisagem onde se criaram, têm na grande variedade das bebidas estimulantes ou refrescantes um lugar à parte, raro e nobre. O homem do povo bebe sempre, em toda a parte, e sob todos os pretextos, os vinhos comuns. No Inverno o vinho aquece e dá conforto, que tantas vezes falta nas casas; no Verão refresca, ajuda a digestão, aguça o apetite que decresce pelos grandes calores. A cultura da vinha ultrapassa hoje, e muito, os limites do mundo mediterrâneo. Mas pode dizer-se que onde ela chega e o consumo do vinho é ainda corrente, chega também alguma coisa mais que recorda o Sul.”
Orlando Ribeiro - "Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico" - 1987 (5.ª edição)

03/05/2026

Hell's Angels

"A atracção que os Angels exercem amplamente sobre a sociedade é merecedora de consideração. Ao contrário da maior parte dos outros rebeldes, os Angels desistiram da esperança de que o mundo irá mudar para eles. Eles assumem, perante a evidência, que as pessoas que dirigem a máquina social não se interessam por motards revoltados e reconciliaram-se com a ideia de serem uns falhados. Mas, em vez de falharem calmamente, um por um, aliaram-se a um tipo de lealdade impensada e saíram do padrão, para o bem e para o mal. Poderão não ter uma resposta, mas pelo menos mantêm-se de pé."
Hunter S. Thompson - "Hell's Angels" - 1966

22/03/2026

The Puppeteer

Fortunino Matania (1881-1963). Aguarela e lápis, 460 x 390 mm. Colecção privada.

01/03/2026

Revolta Contra o Mundo Moderno

"Quando o último resíduo da força vinda do alto e o da raça do espirito se tiverem esgotado nas gerações sucessivas, não resta mais nada: já nenhum leito contém dentro de si a torrente, que se disperde em todas as direcções. Sobrevém o individualismo, o caos, a anarquia, a hybris humanista, a degeneração em todos os aspectos. O dique rompeu-se.
Mesmo que subsista a aparência de uma grandeza antiga, basta um choque mínimo para fazer ruir um Estado ou um Império. O que poderá substitui-lo será a sua inversão arimânica, o Leviathan moderno omnipresente, um sistema colectivo mecanizado e «totalitário»."
Julius Evola - "Revolta Contra o Mundo Moderno" - 1934