"Um velho com um djellaba branco saiu de casa e ficou de pé a olhar para os músicos. Os tambores iniciaram o seu ritmo lento, ele curvou-se e começou a arrastar os pés para trás e para diante sobre os paralelipípedos.
À medida que os tambores aumentavam de ritmo, os pés do velhote deixavam de se arrastar; as pernas pareciam saltar agora sob um impulso próprio. Agarrado pelo homem que estava atrás de si, retorcia-se até à extremidade da faixa que trazia à volta da cintura. Tinha os olhos fixos no fogo para onde desejava lançar-se. A música aumentou de volume, os músicos começaram a golpear o chão com as bordas dos seus benadit e o frenesim do velho crescia. O rosto mudava constantemente de expressão, como se distorcido por ondas de água que o atingissem. Entrava assim nos domínios do santo que o levaria do mundo vísivel a muito além, a esse lugar onde a sua alma se purificaria.
Quando, por fim, caiu no chão, os homens como se fossem um só, apressaram-se a afastá-lo do fogo."
Paul Bowles - "A Missa do Galo - Contos" - 1985

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