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26/11/2024

Campo de Ténis


Taipas - Guimarães - Dezembro de 2022

23/08/2024

30/04/2023

Fantasmas da Minha Vida

"São os irreabilitados, uma geração perdida, «sempre a suspirar pelo tempo que acabou de nos fugir»: os que nasceram demasiado tarde para o punk, mas cujas expectativas foram elevadas pelo seu incendiário crepúsculo; os que assistiram à Greve dos Mineiros com olhos adolescentes e apoiantes, mas que eram demasiado novos para participarem efectivamente na militância; os que sentiram a euforia desejosa de futuro da rave como um direito natural, sem sonharem que ela poderia esfumar-se como sinapses fritas; os que, em suma, simplesmente não achavam suportável a «realidade» imposta pelas forças conquistadoras do neoliberalismo. A regra é adaptar-se ou morrer, estando muitas formas diferentes de morte à disposição de quem não conseguir apanhar o alvoroço comercial ou puxar do entusiasmo indispensável para as indústrias criativas. Seis milhões de maneiras de morrer, é só escolher uma: drogas, depressão, indigência, tantas formas de colapso catatónico. Noutros tempos, os «pervertidos, psicóticos e os que se iam mentalmente abaixo» inspiravam poetas-militantes, situacionistas, sonhadores da rave. Agora, são encarcerados em hospitais, ou ficam a definhar na sarjeta."
Mark Fisher - "Fantasmas da Minha Vida - Escritos sobre Depressão, Hantologia e Futuros Perdidos" - 2014

10/11/2022

PIER PAOLO PASOLINI - Centenário 1922-2022


Pier Paolo Pasolini - Centenário 1922-2022; Acrílico e tinta china s/ papel de Primobansky - Porto

05/08/2022

Realismo Capitalista

“Todavia, a catástrofe ambiental apenas figura na cultura do capitalismo tardio como uma espécie de simulacro, sendo as suas verdadeiras implicações para o capitalismo demasiado traumáticas para que o sistema as assimile. A importância das criticas ecologistas é o facto de sugerirem que, longe de ser o único sistema político-económico viável, o capitalismo está de facto talhado para destruir todo o meio humano. A relação entre capitalismo e desastre ecológico não é uma coincidência nem um acidente: a «necessidade de um mercado em constante expansão» do capital, o seu «fetiche do crescimento», significa que o capitalismo se opõe pela sua própria natureza a qualquer conceito de sustentabilidade.”
Mark Fisher – “Realismo Capitalista” - 2020

12/06/2022

Fahrenheit 451

“Faz a pergunta a ti mesmo. Que procuramos nós acima de tudo, neste país? As pessoas querem ser felizes, não achas? Não lhes ouviste dizer isso toda a vida? Quero ser feliz, declara cada um. E, bem, são eles felizes? Não velamos nós para que estejam sempre em movimento, sempre distraídos? Não vivemos senão para isso, não é a tua opinião? Para o prazer, para a excitação? E deves concordar que a nossa civilização fornece um e outra à saciedade. 
- Sim. 
- Os negros não gostam de Little Black Sambo. Queimemo-lo. A Cabana do Pai Tomás não agrada aos brancos. Queimemo-la. Um tipo escreveu um livro sobre o tabaco e o cancro do pulmão? Os fumadores de cigarros ficaram consternados. Queimemos o livro. A serenidade, Montag, a paz, Montag. Liquidemos os problemas, ou melhor ainda, lancemo-los no incinerador; os enterros são tristes e pagãos? Eliminemo-los igualmente. Cinco minutos após a morte, todo o individuo vai a caminho do Grande Crematório, por meio dos Incineradores servidos por helicóptero em todo o país. Dez minutos após a morte, o homem nada mais é do que um grão de poeira negra. Não vaticinemos acerca dos indivíduos a golpes de inconsoláveis memórias. Esqueçamo-los. Queimemo-los, queimemos tudo. O fogo é brilhante, o fogo é limpo.” 
Ray Bradbury – “Fahrenheit 451” – 1953

07/06/2022

06/01/2022

L'amour va bien...merci

STRA - Avenida de Camilo (Porto) - 2020

21/12/2020

Censura Já!!

“Para que diabos ter uma estante pejada de livros, se a Google tem todos os conteúdos de todos os livros e dispersou-os pelo mundo através da sua magnânima beneficência? Os livros são pesados, sujos, poeirentos e desintegram-se nos nossos pulmões. Para quê possuir enciclopédias quando há todo um wiki-universo? E por aí fora. Para quê haver lojas de discos, livrarias, lojas de vídeo, áreas comerciais quiosques, cinemas, teatros, óperas, bibliotecas, escolas, parques, edifícios governamentais, salas de reunião, etc., etc.? Os espaços públicos, os mercados e interagir com outras pessoas é algo primitivo, pasto de germes e coisa perigosa. Bem vistas as coisas, tudo pode ser feito online, seus primatas! A única que agora uma pessoa precisa é de uma Whole Foods, de uns bares da moda e de um aeroporto para voar até ao Myanmar, antes que fique manco.

Os Senhores dos computadores querem controlar tudo e peça fundamental para controlar todas as coisas é controlar a perceção dos outros. A perceção de como as coisas são, a maneira como as coisas funcionam e o que aconteceu na História são importantes, assim, eles podem moldar a sua versão dos eventos e controlar a narrativa – controlar as mentes das massas para as transformar em melhores e mais complacentes consumidores/servas.

As “tralhas” que os “acumuladores” retêm, todavia, podem contar a história que refuta ou desafia, de certo modo, a versão dos eventos contada pelos suseranos dos computadores. A coleção de discos, de revistas ou de jornais pode revelar algumas pistas em relação a um  movimento social ou tendência, moda ou sensibilidade que desafiam o estrangulamento imbecil das consciências, perpetrado por esses “senhores”. Um arroto de resistência. Uma pista para uma saída. Um sinal de que a vida não depende verdadeiramente do acesso de alta velocidade da internet. A fisicalidade do objeto infere que, outrora, as coisas tiveram significado, que cada coisa não é só fazer um ”post” equívoco e sem significado no Tumblr.”
Ian F. Svenonius – “Censura Já!!” - 2015

31/08/2019

Kingdom Come

“Gostamos de faixas de rodagem duplas e de parques de estacionamento. Gostamos de arquitectura estilo torres de controlo e amizades que duram uma tarde. Não há nenhuma autoridade civil a dizer-nos o que fazer. Não há cá câmaras municipais nem assembleias gerais. Gostamos da prosperidade filtrada através das vendas de carros e de electrodomésticos. Gostamos de estradas que levam para lá de aeroportos, gostamos de transitários de transportes aéreos e de parques de aluguer de carrinhas, gostamos de pacotes de férias comprados num impulso com destino a qualquer sítio que nos dê na real gana. Somos os cidadãos do centro comercial e da marina, da internet e da televisão por cabo. Gostamos disto aqui e não temos pressa nenhuma que você se junte a nós.” 
J.G. Ballard – “Reino do Amanhã” - 2006

24/07/2019

Desertos Emocionais

“As periferias gozam de uma beleza para a qual não foram construídas. Foram construídas para serem espaços sem interesse, sem afecto, sem amor. E, apesar disso, há uma beleza que sobressai. É claro que há problemas, mas o número de pessoas com desejo, com um brilho nos olhos, é imenso. Nasci na periferia de Génova, na periferia oeste, onde está a classe operária. Cresci com essa ideia, toda a vida trabalhei nas periferias. Se não formos capazes de transformar as periferias em lugares urbanos, será um desastre, porque os centros das cidades vão tornar-se cada vez mais pequenos museus, centros comerciais a céu aberto, totalmente gentrificados, e as periferias irão tornar-se descontroladas. Esta é a causa nos próximos 50 anos.”
Entrevista a Renzo Piano – Revista do Expresso n.º 2422 de 30-03-2019

01/06/2019

Novos Monopólios

"O Facebook é o caso perfeito para inverter caminho, justamente por a empresa obter o seu rendimento com anúncios dirigidos, o que significa que os utilizadores não têm que pagar para utilizar o serviço. Mas ele não é realmente gratuito, e de certeza que não é inofensivo.
O modelo do Facebook assenta em capturar ao máximo a nossa atenção, para encorajar as pessoas a criarem e a partilharem mais informações sobre quem são e quem desejam ser. Pagamos o Facebook com os nossos dados e a nossa atenção, e por qualquer desses critérios ele não sai barato."
Chris Hughes (co-fundador do Facebook) – The New York Times / Expresso

24/08/2018

Stencil de Guaté Mao - Porto - Janeiro 2018

14/08/2018

D. João Peculiar

Nuno Saraiva - Série "Na Terra Como no Céu" - Semanário Sol - VII 2011

28/03/2017


Graffiti - Caminha - Novembro 2016