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A Bienal teria a duração de um mês e meio (de 18 de Setembro a 31 de Outubro), e as exposições decorreriam em 4 locais distintos: Casa dos Crivos, Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, Mosteiro de Tibães e Museu D. Diogo de Sousa.
Era do mais elementar bom senso prever que esta iniciativa estava condenada ao insucesso logo à nascença: - quais os artistas que quereriam participar numa Bienal que não apresentava qualquer estratégia, programa ou ambição e que se restringia apenas aos artistas bracarenses? – Que interesse havia em participar numa Bienal que não tinha qualquer prémio? - E cuja organização, ainda por cima, não se responsabilizava por qualquer dano ou extravio das obras, tendo que ser os artistas a pagar o seguro?
Por outro lado, os artistas bracarenses sendo conhecedores do desprezo crónico que a autarquia sempre dedicou à arte e à cultura, estranhariam o oportunismo da realização de uma Bienal em época de eleições. Obviamente, que os artistas não quereriam ser ingénuos instrumentos de um poder municipal que apenas pretendia dar a aparência de ser sensível às artes plásticas.
Pelos pressupostos enunciados, aguardávamos com natural expectativa a concretização da 1.ª Bienal de Artes Plásticas de Braga a realizar-se este mês.
Foi sem surpresa, que uma pomposa Bienal rapidamente se transformou numa modesta Mostra. O evento que deveria decorrer em 4 locais distintos da cidade vai restringir-se apenas ao Museu D. Diogo de Sousa. O que se previa que duraria um mês e meio vai agora ser despachado apressadamente em curtos 15 dias (de 4 a 20 de Setembro).
Tudo isto seria apenas deprimente, se não fosse tão inquietante: - que imagem passa da nossa cidade para o exterior, quando qualquer cidade ou vila de Portugal (Vila Nova Cerveira, Vila Verde, Porto Santo, Amadora, Caminha, Chaves, etc., etc.) consegue realizar uma Bienal de Artes e aquela que se diz a terceira cidade do país não é capaz disso? – Se não são capazes sequer de organizar uma mera Bienal de Artes Plásticas, como queriam realizar uma Capital Europeia da Cultura?
Qual a imagem dos artistas bracarenses que vai perpassar para os turistas e demais visitantes pelo que é apresentado no Museu D. Diogo de Sousa?
A responsável do Pelouro da Cultura de Braga anunciou com a sua habitual fleuma, que “mercê de contingências inerentes a uma primeira edição, esta Bienal de Artes Plásticas registou uma baixa adesão, não alcançando muitos dos objectivos que lhe estão subjacentes.” Acrescentando que na próxima Bienal vão reformular o Regulamento. Será que andam a treinar a organização de Bienais?
(também publicado na edição de 09/09/2009 do jornal Diário do Minho)
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