
Do leque de exposições apresentadas na Bienal, destacam-se apenas as instalações de Zadok Ben-David, vencedor do Grande Prémio, e a de Pascal Nordmann, além, e

Com o tema “As novas cruzadas”, a organização pretendeu apelar à natural contestação da arte e dos artistas, desafiando-os a criarem obras onde sejam evidenciados os conflitos entre o Médio Oriente e o Ocidente e as suas implicações sociais, políticas, religiosas e económicas. A formulação escolhida de “novas cruzadas”, já encerra em si todo um programa, evidenciando a adopção da perspectiva que o agressor é o Ocidente (cruzados) e o Médio Oriente a vítima pacífica e inocente.
O centro da Bienal é o Fórum Cultural de Cerveira, onde são apresentadas as obras do concurso,

Também não se percebe o que estão lá a fazer as obras dos artistas convidados, pois não têm qualquer relação com a temática da Bienal. Fica-se com a ideia de que os nomes de Albuquerque Mendes, José de Guimarães, Miguel Palma, Gerardo Burmester, etc. estão lá apenas para darem alguma visibilidade e legitimação artística à Bienal.
O mesmo acontece relativamente à exposição de homenagem à Fundação Maeght, que dispõe de uma das mais importantes colecções de arte moderna de França, com obras de Giacometti, Miró, Bonnard, Braque, Chagall, Léger, Kandinsky, entre outros. Quem julga que vai poder apreciar obras originais daqueles artistas sairá defraudado, pois o que se apresenta são meras reproduções/litografias. Uma vez mais, é utilizado um nome sonante para servir de chamariz.
Vale a pena visitar a instalação “O Espirito do Lugar” de Pascal Nordmann, vencedor do Prémio Revelação, no salão dos Bombeiros de Cerveira. Estranha-se, no entanto, a atribuição do prémio, pois o artista já tem 50 anos de idade e esta instalação tem sido apresentada desde 2004, não se vislumbrando também qualquer relação com o tópico da Bienal.

Esta edição da Bienal conta com um orçamento de 500 mil euros (cerca de 100 mil contos, na moeda antiga), repartidos pela autarquia (35%), pela empresa DST (30%), Ministério da Cultura (5%), e o restante dividido por diversos patrocinadores públicos e privados. A organização vem afirmando que o adiamento do reconhecimento da Fundação da Bienal e o reduzido suporte financeiro do Ministério da Cultura dificultam a angariação de mais e melhores apoios e uma maior internacionalização.

Esta foi a última Bienal dirigida por Henrique Silva, que se retira após quinze anos à frente do certame. Para o substituir foi designado Augusto Canedo. Espero sinceramente que o novo director consiga reunir uma equipa capaz de repensar e refundar a Bienal, apresentando um novo formato mais consentâneo com o nosso tempo e expectativas. Cerveira e o Minho bem o merecem.
(também publicado na edição de 10/09/2007 do jornal Diário do Minho)
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