“A grande originalidade da agricultura mediterrânea consiste, porém, na produção, em larga escala, do vinho e do azeite.
A vinha encontra aqui o optimum da sua cultura: o ar seco, a temperatura mais constante durante os meses de maturação do fruto, fazem com que ela se defenda melhor dos seus inimigos naturais. Os maiores produtores de vinho do mundo, excepto a França, são os países mediterrâneos e o lugar dele nas exportações é essencial.
Estes vinhos, que se conhecem por nomes eufónicos, ricos de álcool, perfumados, luminosos, fortes e contrastados como a paisagem onde se criaram, têm na grande variedade das bebidas estimulantes ou refrescantes um lugar à parte, raro e nobre. O homem do povo bebe sempre, em toda a parte, e sob todos os pretextos, os vinhos comuns. No Inverno o vinho aquece e dá conforto, que tantas vezes falta nas casas; no Verão refresca, ajuda a digestão, aguça o apetite que decresce pelos grandes calores. A cultura da vinha ultrapassa hoje, e muito, os limites do mundo mediterrâneo. Mas pode dizer-se que onde ela chega e o consumo do vinho é ainda corrente, chega também alguma coisa mais que recorda o Sul.”
Orlando Ribeiro - "Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico" - 1987 (5.ª edição)

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