15/07/2008

Nina Hagen e Ari Up (The Slits)

10/07/2008

labor e assombro

Labor e Assombro
percursos habitados no espaço monástico
Depois de ter sido durante os seus tempos áureos a Casa Mãe da Congregação Beneditina de Portugal e do Brasil, depois de um período de negligência, delapidação e abandono, depois de ter experimentado um programa integrado de restauro e recuperação, o Mosteiro de São Martinho de Tibães prepara-se para iniciar um capítulo essencial no seu processo de reabilitação. Com uma origem cujas primeiras referências remontam ao início do século XI, (e de forma não documentada à época dos Suevos e de São Martinho de Dume, no século VI), com traços arquitectónicos dominantes que correspondem às remodelações empreendidas ao longo dos séculos XVII e XVIII, o imponente complexo monástico assiste no presente à conclusão dos trabalhos levados a cabo na Ala Sul, Noviciado e Claustro do Refeitório, este último e parte das alas Sul e Nascente destruídos por um grande incêndio no final do século XIX, já depois da extinção das ordens religiosas em Portugal. Como corolário destas novas valências e percursos expositivos o Mosteiro vai voltar a ser novamente um espaço habitado, passando a albergar uma pequena comunidade religiosa feminina responsável pela manutenção de uma hospedaria e de um restaurante abertos ao público.

Esta expectativa de primavera em Tibães assume neste projecto de intervenção artística um efeito galvanizante que intensifica o silêncio e a sobreposição de vivências que caracterizaram a organicidade beneditina e que abrangem ainda mais de um século de propriedade privada na fase anterior à sua aquisição pelo estado em 1986. Da ruralidade envolvente ao acolhimento dos inúmeros artistas e artífices que deixaram no património edificado e na cerca conventual o cosmopolitismo da sua passagem, do relacionamento com a comunidade de inserção às responsabilidades administrativas da Congregação, da complexidade das zonas de serviço ao desenho cuidado dos locais de oração, reunião, estudo e contemplação, do seguimento dos preceitos da Regra à concretização dos seus pressupostos pedagógicos de ensino e evangelização, da ênfase dada ao silêncio e ao trabalho manual à preocupação com os malefícios da “murmuração”, do papel desempenhado no passado aos princípios de incorporação e interpretação museológicos actuais, há um profundo diálogo e mediação entre as necessidades e desafios de ordem prática e a vocação espiritual que orientou a construção e a preservação da instituição que estabeleceu aqui um quotidiano de abnegação individual e opulência colectiva, de sacrifício, persistência e dedicação.

Sintetizado no lema “ora e labora” da organização fundada sobre a autoridade do Abade e da Regra de São Bento ou na coexistência da propriedade agrícola particular com o funcionamento da Igreja Paroquial e, mais recentemente, na convivência entre essa realidade marcadamente rural e imbuída de uma religiosidade festiva e popular e as novas funções e exigências museológicas, há em Tibães uma conjugação intensa das dimensões do temporal e do sagrado que aí se interceptam admiravelmente. E que constituem os pressupostos de intervenção que impregnam a identidade deste projecto de habituação ao espaço na contemporaneidade. Combinando o labor produtivo ou conducente ao assombro como objecto de concretização e fruição tangível ao próprio assombro enquanto finalidade directora e crença espiritual na transcendência do invisível.

É com esse enquadramento perceptivo que os visitantes da exposição são convidados a percorrer, paralelamente aos percursos permanentes do programa de visita, as derivas e desdobramentos habitados, vincados pela água e pela liturgia das horas “que ritma a embarcação sanguínea”(*). Na expectativa do reconhecimento e da surpresa na respiração do outro. Na navegação suspensa sobre o infinito “de quem avista uma praça fora do mundo” (*).

(*) Daniel Faria, poeta e monge beneditino falecido em 1999

09/07/2008

Their fragrance shall abide. Shall never die.

05/07/2008

NICO

Nico [foto: Billy Name]

Velvet Underground & Nico [foto: Billy Name]

29/06/2008

Parque da Ponte - Braga - Setembro 2007

23/06/2008

KILL 'EM ALL

Barragem de Cambambe - Dondo - Kwanza Norte - Angola - Maio 2008

12/06/2008

Pintado por UIU - Miguel Bombarda - Porto - Outubro 2007

07/06/2008

Kifangondo - Luanda - Angola - Maio 2008

02/06/2008

SWATCH - "California Finger Nails"

O relógio California Finger Nails Hollywood é um dos modelos mais raros e especiais da Swatch tendo sido produzidos apenas 100 exemplares do mesmo. Em 2001, o filantropo norte-americano Henry Buhl ganhou através de um leilão realizado pela Swatch, a possibilidade única de desenvolver um modelo exclusivo para a marca suíça.
Ao longo dos dois anos seguintes, Buhl e uma equipa de designers da Swatch procuraram algo que fosse simultaneamente belo e provocante e com uma forte identidade artística. Henry Buhl escolheu de entre a sua colecção uma fotografia de 1981 de Helmut Newton para ilustrar o relógio. A fotografia a preto e branco mostra uma mulher em nu frontal (pêlos púbicos incluídos) com umas grandes unhas pintadas cravadas na própria carne. A imagem tem uma forte carga erótica e sado-masoquista exposta sem qualquer tipo de pudores.
Modelo: “California Finger Nails Hollywood” (GZ 183) – 2003
Autor: Helmut Newton (Berlim, 1920 - L.A., 2004)

Edição: 100 exemplares

22/05/2008

Parque da Ponte - Braga - Setembro 2007

17/05/2008

in memoriam

O jornalista e grande crítico de música Fernando Magalhães deixou-nos fez três anos no passado dia 15 de Maio, tendo falecido prematuramente aos 49 anos de idade, vítima de ataque cardíaco.
Os primeiros escritos que li da sua autoria foram publicados no jornal Blitz em finais dos anos 80 numa rubrica denominada Valores Selados. Em artigos de página inteira Fernando Magalhães discorria sobre os mais diversos géneros musicais - do progressivo à folk, da electrónica ao kraut rock. Escrevia com a convicção de quem tem profundos conhecimentos sobre a história da música e das correntes estéticas e com a paixão desmesurada dos grandes melómanos e divulgadores sempre abertos a novas descobertas.
Desse tempo, recordo ainda os textos sobre os Van Der Graaf Generator, Can, Peter Hammill, Robert Fripp, Snakefinger e muito especialmente o balanço sobre os melhores discos publicados na década de oitenta. Essa lista foi um choque para mim, pois desconhecia grande parte dos artistas e das obras referidas.
No início da década de 90, Fernando Magalhães transferiu-se para o novo jornal Público, projecto editorial do qual fez parte desde o número inaugural até à data do seu precoce falecimento. No jornal Público, passou por todos os suplementos dedicados à música e à cultura – Pop & Rock, Sons, Y, Mil Folhas. Foi igualmente um dos principais dinamizadores do Fórum Sons na net.
Podemos rememorar alguns dos magníficos textos, críticas e entrevistas no sítio fmstereo onde está também um repositório das inúmeras listas de discos que Fernando Magalhães estava sempre a fazer e que constituem um inigualável guia para partir à aventura no mundo da música.
Continuo a comprar o Público à sexta-feira, mas a ausência dos textos e recensões críticas do Fernando Magalhães deixou um vazio impossível de preencher. Continua a fazer-me muita falta.
(clicar nas imagens para ampliar)

16/05/2008

deep into blue

Caxito - Bengo - Angola - Dezembro 2007

04/05/2008

Bairro Alto - Lisboa - Agosto 2007

26/04/2008

Moneyland Record$

No final de 1991 surgiu na revista do jornal Expresso um anúncio de página inteira que dava conta das edições para o ano seguinte de uma editora desconhecida até à data, com o sugestivo nome de Moneyland Records. Tratava-se de um anúncio fictício da autoria de João Paulo Feliciano composto por 10 discos que o artista/músico gostaria que fossem editados.
O que nasceu como um projecto artístico pontual para as páginas da revista, materializou-se um ano depois numa editora independente com o mesmo nome. O primeiro lançamento foi um triplo single com 6 temas de bandas emergentes - Tina and The Top Ten, Red Beans, Lulu Blind, Cosmic City Blues, More República Masónica, Lesma.
A apresentação ao vivo desta edição deu-se nos espectáculos "Moneyland Comes Alive" realizados em Lisboa e Viseu.
No Verão de 1993 seguiram-se mais duas edições no mesmo formato de 7'' single - “Everslick” dos Tina and The Top Ten e “4 songs” dos Red Beans.
A dimensão editorial associada a uma forte componente gráfica resultante do trabalho dos responsáveis da editora, os artistas Rui Toscano e J. Paulo Feliciano em conjunto com o irmão Mário Feliciano originou um projecto mais globalizante denominado Secretonix no qual a editora se integrou.
O primeiro lançamento em CD deu-se em 1995 com a gravação do célebre concerto dos Sonic Youth no Campo Pequeno com os Lulu Blind e os Tina and The Top Ten a fazerem a abertura. O disco autorizado pela banda norte-americana teve uma tiragem de 1250 exemplares parte dos quais distribuídos no fanclub oficial da banda. A mistura da gravação do concerto ficou a cargo de Rafael Toral e o nome adoptado para o disco - "Blastic Scene" – foi recuperado do anúncio original publicado no jornal Expresso.
Ainda em 1995 sai a segunda edição em formato digital, o disco dos No Noise Reduction - "The Complete NNR", projecto de João Paulo Feliciano e Rafael Toral. A capa do disco é, novamente, recuperada do projecto imaginário publicado anos antes no Expresso.
No mesmo ano sai o último registo publicado pela Moneyland Records “Wave Field” do guitarrista Rafael Toral, que foi reeditado em 1998 por uma editora norte-americana. A imagem da capa do disco remete imediatamente para a capa de “Loveless” dos My Bloody Valentine, levando a experiência sónica para novos limites.