24/01/2008

sitiados

Cacuaco - Luanda - Dezembro 2007

20/01/2008

"Diabo Manquinho"

Parque da Ponte - Braga - Setembro 2007

12/01/2008

A Ponte do Rio Quicombo

Kwanza Sul - Angola - Dezembro 2007

18/12/2007

SWATCH - "Xmas by Xian LaX"

Um pouco de glamour e exuberância em época de Natal. O Swatch escolhido para este mês é o Xmas by Xian LaX, modelo desenhado por Christian Lacroix para o Natal de 1994. O famoso estilista francês não deixou os seus créditos por mãos alheias e surpreendeu-nos com uma extravagância ao seu melhor estilo. Em lugar de uma mera máquina de contar o tempo, apresentou uma peça de joalharia luxuosa e sofisticada, um acessório de alta-costura com honras de lançamento no desfile Prêt-à-porter de Paris.
A partir de 1991 a Swatch lança anualmente uma edição limitada de Natal. Estes modelos especiais, cheios de requinte e exclusividade são das edições mais procuradas pelos coleccionadores e aficionados. O relógio desenhado por Lacroix é um dos expoentes máximos da Swatch, apresentado num cofret em tons de vermelho e ornatos dourados. O relógio tem as mesmas tonalidades e um bordejado de brilhantes multicolores e uma bracelete extensível dourada cheia de elementos decorativos barrocos. O relógio dispensa os ponteiros tendo no mostrador uma figura representando o sol e um pequeno ponto negro que completa uma rotação a cada 12 horas. Um relógio para ocasiões especiais onde o tempo deve ser apreciado e não quantificado.

Modelo: “Xmas by Xian LaX” (GZ140) – 1994
Autor: Christian Lacroix (Arles, 1951)
Edição: 22.222 exemplares

12/12/2007

O amor em tempos de angústia

O projecto Censura Prévia foi criado em 2002 por elementos ligados ao Teatro Universitário do Minho. Em 2005, depois de algumas festas e uma incursão pela Bracara Angustia, instalaram-se na Travessa do Caires, n.º 39 junto à Estação da CP, num edifício de vários pisos que baptizaram de Espaço.
A localização, apesar de relativamente próxima do centro da cidade, tem já traços de subúrbio. O Espaço, que parece ter sido anteriormente uma oficina (ou armazém) fica nas traseiras dos prédios da Rua do Caires, identificando-se pelo abat-jour colocado numa janela, reminiscente do tempo em que o edifício albergou uma casa de putas.
No marasmo cultural bracarense, a Censura Prévia propõe um projecto muito ousado e diferenciado. É notória a intenção de mexer com as coisas e com as pessoas, abrindo o Espaço à intervenção e participação, mas a localização periférica e o carácter marcadamente alternativo da programação dificilmente permitirão cativar um público alargado.
A audácia e a persistência necessárias para manter um projecto desta natureza em Braga e a qualidade das propostas apresentadas são os aspectos mais relevantes e admiráveis. Por outro lado, a fraca divulgação, a irregularidade da programação, o deficiente funcionamento do bar e a decoração/aspecto geral, poderiam ser melhorados.
O Espaço tem sido palco de inúmeros concertos de variadas correntes musicais, exposições/instalações, festas com DJ e VJ e o ciclo de mini-espectáculos “Para ficar a perceber ainda menos sobre o amor” nos últimos três dias de cada mês. Os espectáculos apresentados são da autoria de elementos da Censura Prévia ou de outros criadores que mantêm alguma afinidade com o projecto.
Para ficar a perceber ainda menos sobre o amor #6
Nos dias 29, 30 e 31 de Julho foi apresentado o 6.º mini-espectáculo “Para ficar a perceber ainda menos sobre o amor”, uma criação e interpretação colectiva de seis elementos da Censura Prévia. Com uma notável capacidade de improvisar com recursos muito escassos e de baixo orçamento - objectos comuns como cadeiras, cordas e molas, sacos, bidão, mangueira e um escadote, conseguem obter um brutal efeito cenográfico e sensorial.
Ao longo do espectáculo assistimos a solos e a interacções de grupo, aos momentos de acalmia sucede-se a maior desbunda, como no “Simple Men” de Hal Hartley onde os actores, de repente, começam a dançar freneticamente “Kool Thing” dos Sonic Youth. Os sacos de plástico cheios de líquido pendurados no tecto pingam ininterruptamente através de pequenos buracos até revelarem o que escondem no fundo. O capuchinho vermelho espera entediada pelo lobo mau que nunca aparece. Também há ironia indolente sobre os clichés dos clássicos shakesperianos, à pancada de Molière respondem com o teatro às três pancadas, iconoclastas e a borrifarem-se para a mecanização ensaiada das cenas.
Ouve-se música de Aphex Twin, Clã, Radiohead, Nancy Sinatra, kizomba e kuduro. Uma mangueira jorra água até inundar completamente a sala, o dilúvio mas sem o efeito purificador. Os actores desnudam-se, chapinham e rebolam na água, estatelam-se desamparadamente e partem os dentes no chão, inebriados, eufóricos e hedonistas.
O amor de todas as maneiras e feitios, sempre inexplicável e irracional – um gajo estranho com travo amargo e sem finais felizes.
Ficha artística:
Textos de Ana Arqueiro. António Gregório. Eva Malaínho. Homero. Molière e Sandra Andrade.
Criação e interpretação de Ana Arqueiro. Clara Alves de Sousa. Eva Malaínho. Luís Cardoso. romeulebres e Sandra Andrade.
fotos: Teresa Luzio

05/12/2007

Braga - Dezembro 2007
foto: João Foldenfjord

03/12/2007

Café A Brasileira - Braga

Foi apresentado no passado dia 10 de Novembro o fanzine “A Brasileira com Cem”, comemorativo do centésimo aniversário do vetusto café bracarense. O fanzine tem 44 páginas compostas por trabalhos originais em forma de texto, desenho, fotografia, ilustração, banda desenhada, poesia, etc. O fanzine teve uma tiragem inicial de 250 exemplares e pode ser adquirido por 2 euros ao balcão da Brasileira.
Participaram no fanzine os seguintes autores: Adriano Faria, Alexandre Gonçalves, Bento Duarte, César Taíbo, Cláudia Bueso, Esmeralda Duarte, Helena Carneiro, João Foldenfjord, Jorge Moreira, Kid, Madalena Dória, Miguel Meira, MTFields + MSunshine, Nuna Poliana, Nuno Cláudio, Nuno Gomes, Paulo Bonito, Paulo Nogueira, Paulo Trindade, Pedro Guimarães, Ricardo Fiúza, Sebastião Peixoto, Sofia Saldanha, Vítor Costa e Vítor Silva.
Odemira - Agosto 2007

23/11/2007

Xeque à Quinta dos Peões

Foi anunciado recentemente o lançamento de um concurso de ideias para a Quinta dos Peões localizada em frente ao Campus de Gualtar da Universidade do Minho. Anteriormente, a Quinta era ocupada pelo Núcleo de Melhoramento do Milho do Instituto de Investigação Agrária, estando classificada como Reserva Agrícola Nacional. Seria do mais elementar bom senso que quando o Ministério da Agricultura prescindisse da Quinta, ela fosse para as mãos da Universidade do Minho. No entanto, em 1995 um Governo incompetente tratou de a vender em hasta pública por 900.000 contos à empresa Rodrigues & Névoa. A polémica em torno do negócio foi imediata devido ao receio sobre o destino que a imobiliária daria aos terrenos, numa zona já fortemente estigmatizada em termos de construção, tráfego rodoviário e poluição.
Ao longo dos anos, o processo da Quinta dos Peões tem sido objecto de sucessivas rondas de negociação entre o proprietário, a Câmara e a UM. Em traços gerais, daí resultou um acordo/protocolo onde a imobiliária cederia uma parcela de cerca de 4 hectares à Universidade como contrapartida para urbanizar/construir no terreno.
Entretanto, a Quinta tem sido o palco das últimas edições do Enterro da Gata, aparecendo periodicamente na comunicação social ora porque serve de depósito ilegal de detritos/areias que desqualificam e degradam o terreno, ou porque para aí está prevista a construção da nova sede da AAUM, ou por fim porque é um dos locais propostos para possível localização do Instituto Ibérico de Investigação e Desenvolvimento, que acabou por ir para os terrenos da Bracalândia.
Em finais de 1996 propus que a Quinta dos Peões revertesse de novo para o domínio público e fosse transformada em jardim botânico/parque da cidade. Esta solução sempre me pareceu a que melhor salvaguardava os interesses da UM e dos bracarenses:
- um jardim botânico dotado de grande biodiversidade, com estufas, espaços ajardinados com todo o tipo de árvores, plantas e flores, cursos de água, percursos pedestres e de manutenção, onde fosse possível desfrutar de uma paisagem natural aprazível, de tranquilidade e ar puro. Um espaço onde fosse possível passear, descansar, tirar fotografias, estudar, fazer piqueniques, etc.
- com esta solução poderiam ser aproveitadas as infra-estruturas e o know-how dos técnicos do Núcleo de Melhoramento do Milho, em conjunto com diversos Departamentos da UM para mostrar aos jovens e à população em geral a investigação e a ciência de forma pedagógica e lúdica;
- a Quinta dos Peões serviria de pulmão / zona tampão para o campus da Universidade podendo ser utilizada pela comunidade como local de investigação, de estudo, prática de desporto e zona de lazer;
- o jardim botânico / parque da cidade seria um espaço de interface / aproximação entre a Universidade e a cidade de Braga invertendo o distanciamento existente.

O concurso de ideias lançado pela empresa Rodrigues & Névoa, anunciado no Senado Universitário dando conta da participação de docentes do Dep. Arquitectura da UM no processo de selecção das propostas é uma forma ardilosa de facilitar os interesses da conhecida (nem sempre pelos melhores motivos) imobiliária bracarense. A empresa só poderá rentabilizar o seu investimento na Quinta dos Peões se puder edificar, mas sabe de antemão que a sua intervenção suscitará sempre polémica, pelo que pretende minimizar os seus efeitos, utilizando a capa da Universidade para caucionar o processo, dando-lhe em troca umas migalhas de terreno. A UM pela voz do seu Reitor diz-se muito sensibilizada com a preocupação do proprietário em salvaguardar “o ambiente e a vivência da comunidade académica”, revelando um pragmatismo excessivamente realista que considera umas migalhas melhores que nada.
Ao longo deste processo, a Câmara sempre afirmou que pouco podia fazer, a não ser servir de intermediário e que a responsabilidade era toda do Governo que alienou o terreno. Sendo certo que não foi a Câmara a fonte original do problema, Mesquita Machado tinha obrigação de afirmar, de forma inequívoca, que não viabilizaria qualquer construção no local, frustrando qualquer veleidade da imobiliária. Os superiores interesses da cidade e dos bracarenses assim o exigiam.
(também publicado na edição de 28/11/2007 do jornal Diário do Minho)

18/11/2007

13/11/2007

SWATCH - “19° South, 169° West”

A nova colecção Outono/Inverno da Swatch reserva uma surpresa especial – a homenagem a Corto Maltese, famoso personagem de banda desenhada criado por Hugo Pratt há 40 anos, nas páginas d’ “A Balada do Mar Salgado“, história cuja publicação se inicia no primeiro número da revista “Sgt. Kirk”.
Corto Maltese é um marinheiro nascido na ilha de Malta, viajante aventureiro pelos quatro cantos do mundo, amante da liberdade e amigo dos fracos e oprimidos.
Hugo Pratt (15/06/1927 – 20/08/1995), nascido em Veneza inspirou-se nas suas viagens para criar o aventureiro que percorre todos os continentes e navega em todos os mares. Corto Maltese, o anti-herói romântico, sempre de partida em busca de acção ou perseguindo um sonho, atravessando todos os grandes acontecimentos do início do século XX.
A Swatch lançou dois modelos inspirados na mítica personagem de BD: o modelo Corto” (SUJZ106) é a cores e tem edição ilimitada; o modelo “19° South, 169° West” vem num estojo especial de cabedal negro com um mapa impresso a branco, acompanhado por uma bússola. O relógio tem impressos grafismos a preto e branco característicos da banda desenhada. Esta edição é muito cuidada e limitada.
O relógio é um dos melhores lançados pela Swatch em muito tempo, entrando directamente para o meu top de preferências.

Modelo: "19° South, 169° West " (SUJZ105S) – 2007
Edição: 11.111 exemplares.

06/11/2007

Lançamento do fanzine

No dia 10 de Novembro pelas 18:00, no café A Brasileira em Braga, será apresentado o fanzine “A Brasileira com Cem”.

Com o propósito da comemoração do centenário da Brasileira, um grupo de frequentadores do café, tomou a iniciativa de lhe prestar um tributo, de uma forma alternativa e mais genuína. O desafio consistiu em realizar um trabalho até duas páginas, que poderia ser em forma de texto(s), fotografia(s), desenho(s), banda desenhada, etc., sobre o que a Brasileira representava para cada um, tendo como objectivo compor um possível retrato do café, pela altura do seu centésimo aniversário.
A resposta surgiu através de vinte e cinco trabalhos originais e heterogéneos, que são agora apresentados em formato de fanzine colectivo. Testemunho de uma forma peculiar de sentir a Brasileira, que ultrapassa a normal relação existente, num qualquer espaço comercial.

A preceder a apresentação do fanzine, está prevista a colaboração do Sindicato da Poesia, com a leitura de textos alusivos a cafés.
(a imagem apresentada em cima é da autoria de João Foldenfjord)

01/11/2007

DAVID SYLVIAN - Blemish

“Blemish” surge em 2003 produzido durante um curto intervalo de um mês, na sequência de uma paragem nas gravações do álbum dos Nine Horses. David Sylvian, num momento de mudança e transição na sua vida pessoal, que ocorre em simultâneo com o fim da longa ligação à editora Virgin, sente-se compelido a fazer um disco que rompe com o seu trabalho anterior e que vai inaugurar a sua editora pessoal.
As músicas resultam de sessões de improvisação realizadas em estúdio. Metade do disco é gravado completamente a solo e o restante com a decisiva colaboração do falecido guitarrista Derek Bailey e do austríaco Christian Fennesz.
O disco abre com a faixa que dá nome ao álbum, um “tour de force” de quase 14 minutos. A electrónica compõe o cenário seco e despojado sobre o qual David Sylvian canta no seu tom de barítono intimista. O ambiente é hipnótico e sombrio, de uma beleza etérea e glacial. Guitarras tratadas em desvario free. Absolutamente estarrecedor.
A segunda faixa "The Good Son" começa com umas notas esparsas da guitarra de Derek Bailey. As palavras saem a custo e muito lentamente. Sylvian desconfortável num spoken cheio de gravidade. Espasmos de guitarra omnipresentes apontando em direcção incerta. Tudo num equilibrio muito frágil e instável.
Em "The Only Daughter", Sylvian entoa uma espécie de mantra. Parece uma tentativa esforçada de se convencer que o fim da relação é inevitável. A base electrónica abstracta, cheia de estática a flutuar pontua uma atmosfera um pouco claustrofóbica. Os cortes, interferências e avarias alastram gradualmente para a voz deixando todas as fracturas em carne viva.
Na quarta faixa “The Heart Knows Better”, Sylvian parece discorrer sobre o quotidiano doméstico e familiar. As palavras surgem arrastadas num fundo de guitarras e digitália. A vida privada, a impossibilidade de comunicar e por fim a solidão num monumento de emoções e intimismo.
"She Is Not", é um pequeno apontamento de 43 segundos com a guitarra de Bailey a introduzir tensão por trás da lenga-lenga entoada por Sylvian.
Na faixa "Late Night Shopping", o ritmo é marcado pelo bater de palmas dolente, electrónica cheia de efeitos e no final a voz de Sylvian tratada e com reverb. Uma atmosfera sombria, de desconforto e aborrecimento. Pop, mas de outro planeta.
Em "How Little We Need To Be Happy" Sylvian encaixa magistralmente a vocalização no improviso de guitarra oferecido por Bailey.
A última faixa "A Fire In The Forest" pontuada pelas electrónicas de Fennesz é de um optimismo muito relutante, com Sylvian a terminar com os versos "There is always sunshine above the grey sky, I will try to find it, yes I will try."
“Blemish” é um daqueles discos difíceis que pode causar desconforto mesmo em alguns admiradores da obra de Sylvian. Não encontrando genealogia directa nem na obra anterior nem em lado algum, uma espécie de filho ilegítimo apenas comparável a discos inclassificáveis como “Rock Bottom” de Robert Wyatt, “Laughing Stock” dos Talk Talk, “Dynamite” de Stina Nordenstam e “Tilt” de Scott Walker. “Blemish” é um ovni estranho ao princípio, mas que gradualmente se entranha e vicia. Aqueles que tiverem a ousadia de entrar neste novo universo serão recompensados com um dos mais surpreendentes e inspirados discos editados no séc. XXI.
SamadhiSound, SS001 - 43'45" - 2003
Blemish // The Good Son // The Only Daughter // The Heart Knows Better // She Is Not // Late Night Shopping // How Little We Need To Be Happy // A Fire In The Forest // Trauma (bonus track Japan Edt).
Produced, composed, performed, mixed, engineered by David Sylvian, except tracks 2/5/7 guitars Derek Bailey. Composed by Derek Bailey and David Sylvian. Track 8 electronics and arrangement by Christian Fennesz. Cover portrait: Atsushi Fukui.

David Sylvian (concerto no Theatro Circo – Braga - 23/10/2007)
foto:
psombra