Stencil em Odeceixe - Aljezur - Agosto de 2006
04/09/2007
03/09/2007
Fanzine editado no final do curso de banda desenhada organizado pela Velha-a-Branca – estaleiro cultural entre Abril e Maio de 2005. O curso foi orientado por Carlos Dias Tavares, sendo composto por dez sessões. Foram apresentados sete trabalhos para publicação no fanzine. A primeira edição de 75 exemplares, denominada Deluxe era impressa a cores e esgotou rapidamente. No dia do lançamento, foi organizada uma tertúlia sobre banda desenhada que contou com a participação do formador Carlos Dias Tavares, de Arlindo Fagundes, de Pedro Morais e de Paulo Patrício.A segunda edição de 125 exemplares, denominada Pop, diferia da primeira pois tinha capa a cores, mas o miolo era a preto e branco.
Como é habitual em publicações colectivas de final de curso, observa-se uma grande diversidade de estilos e técnicas e algum desequilíbrio ao nível da qualidade dos trabalhos apresentados. De qualquer forma, este tipo de edição é meritório, pois constitui para os participantes um desafio e uma primeira oportunidade de mostrarem publicamente o seu trabalho. Era importante que este tipo de iniciativas tivesse seguimento e surgissem novos trabalhos e novos autores. Mais ainda, numa cidade onde o marasmo ao nível das publicações amadoras é total.
Ambas as edições estão esgotadas há bastante tempo. Tenho alguns (poucos) exemplares extra que poderei estar interessado em trocar por outros fanzines.
Participantes: Paulo Felgueiras com “Faces de Paixão” - (4 págs. a P&B); Rui Silva com “Bang Bang” – (2 págs. a P&B); Adelino Pereira com “Devolver” – (3 págs. a cores); Guilherme Lopes com “Super Patanisca – (8 págs. a cores); Patrícia Braga com um trabalho sem título (12 págs. a cores); Kiko Pantuchina+Beta Gon com “O Rock chegou a Roças” (6 págs. a cores); e Raquel+Hugo Ramos com “Tomo no Boken” (10 págs. a P&B). Desenho da capa: Carlos Dias Tavares; Paginação: Guilherme Lopes; Arranjo gráfico da capa: Helena Carneiro. Edição: Velha-a-Branca - estaleiro cultural, Braga, Julho de 2005.
02/09/2007
Arte Total
01/09/2007
Hector Babenco - Pixote - A Lei do Mais Fraco [1981]
"Pixote - a lei do mais fraco" é a terceira obra do realizador Hector Babenco, nascido na Argentina em 1946, mas radicado no Brasil desde os anos setenta. Babenco notabilizou-se depois com filmes como "O Beijo da Mulher Aranha", que valeu um Óscar para William Hurt, "Ironweed" (com Jack Nicholson e Meryl Streep) e "Carandirú"."Pixote" é baseado no livro “Infância dos Mortos” do escritor José Louzeiro, relatando a história de Pixote (Fernando Ramos da Silva), um rapaz com dez anos, filho de pai incógnito. O filme começa num tom documental, com o realizador a contextualizar a situação económica, judicial e social do Brasil, com uma favela de S. Paulo como pano de fundo. Influenciado pelo neo-realismo italiano (De Sica, em primeiro lugar), e por filmes como “Zero em Comportamento” de Jean Vigo, “Os Olvidados” de Luís Buñuel e “Os 400 Golpes” de François Truffaut, o realizador Hector Babenco filma praticamente tudo com actores não profissionais em c
enários e situações de grande realismo.
Após a introdução inicial, a história passa para dentro de um reformatório juvenil onde Pixote é internado, para aí completar a sua "educação" no convívio com todo o tipo de delinquentes. Pixote junta-se a outros menores como Fumaça, Lilica, Dito e Chico, mais por falta de opção do que por convicção. A violência, estupro, corrupção e demonstrações de força, bem como as pequenas alegrias de um jogo de futebol, pontuam o quotidiano dos jovens reclusos.
As mortes de Fumaça e do namorado do travesti Lilica, obrigam o grupo a escapar do reformatório e a partirem para o Rio de Janeiro, iniciando uma nova etapa em jeito de road movie. A narrativa passa do confinamento
total do reformatório para os grandes espaços, para as avenidas consumistas e para as praias solarengas. O grupo numa vertigem hedonista e amoral, vai aprimorando os seus esquemas e crimes, culminado no assassinato de Débora, vendedora de droga, por Pixote que logo de seguida vai jogar flippers.
Hector Babenco desafia-nos a olhar Pixote e seus companheiros, não como crianças sem rumo, mas como protagonistas de um rumo-outro, construído na brutalidade e no antagonismo diante do mundo. Amores, cumplicidades, raiva, dúvidas - os jovens criam nas ruas uma nova "família", partilhando banhos nos chafarizes públicos e os cobertores à noite.
A interpretação de Fernando Ramos da Silva é brilhante, conseguindo representar um Pixote simultaneamente inocente e assassino. Fernando, contudo, não conseguiu manter-se a trabalhar como actor e voltou à criminalidade. Acabou morto pela polícia aos 19 anos, deixando esposa e dois filhos. Em 1988, Nick Cave a residir no Brasil, dedica o disco “Tender Prey” a Fernando Ramos da Silva/Pixote.
Brasil, 1981, Cor, 123min - Realizador: Hector Babenco
Produção: Paulo Francini - Argumento: Hector Babenco/Jorge Duran - Fotografia: Rodolfo Sánchez - Montagem: Luiz Elias – Banda Sonora: John Neschling
enários e situações de grande realismo.Após a introdução inicial, a história passa para dentro de um reformatório juvenil onde Pixote é internado, para aí completar a sua "educação" no convívio com todo o tipo de delinquentes. Pixote junta-se a outros menores como Fumaça, Lilica, Dito e Chico, mais por falta de opção do que por convicção. A violência, estupro, corrupção e demonstrações de força, bem como as pequenas alegrias de um jogo de futebol, pontuam o quotidiano dos jovens reclusos.
As mortes de Fumaça e do namorado do travesti Lilica, obrigam o grupo a escapar do reformatório e a partirem para o Rio de Janeiro, iniciando uma nova etapa em jeito de road movie. A narrativa passa do confinamento
total do reformatório para os grandes espaços, para as avenidas consumistas e para as praias solarengas. O grupo numa vertigem hedonista e amoral, vai aprimorando os seus esquemas e crimes, culminado no assassinato de Débora, vendedora de droga, por Pixote que logo de seguida vai jogar flippers.Hector Babenco desafia-nos a olhar Pixote e seus companheiros, não como crianças sem rumo, mas como protagonistas de um rumo-outro, construído na brutalidade e no antagonismo diante do mundo. Amores, cumplicidades, raiva, dúvidas - os jovens criam nas ruas uma nova "família", partilhando banhos nos chafarizes públicos e os cobertores à noite.
A interpretação de Fernando Ramos da Silva é brilhante, conseguindo representar um Pixote simultaneamente inocente e assassino. Fernando, contudo, não conseguiu manter-se a trabalhar como actor e voltou à criminalidade. Acabou morto pela polícia aos 19 anos, deixando esposa e dois filhos. Em 1988, Nick Cave a residir no Brasil, dedica o disco “Tender Prey” a Fernando Ramos da Silva/Pixote.
Brasil, 1981, Cor, 123min - Realizador: Hector BabencoProdução: Paulo Francini - Argumento: Hector Babenco/Jorge Duran - Fotografia: Rodolfo Sánchez - Montagem: Luiz Elias – Banda Sonora: John Neschling
Actores: Fernando Ramos da Silva, Marília Pêra, Jardel Filho, Jorge Julião, Rubem de Falco, Elke Maravilha, Tony Tornado, Gilberto Moura, Edilson Lino…
31/08/2007
27/08/2007
Uma estátua em bolandas
Em reunião recente, as Juntas de Freguesia urbanas de Braga tiveram oportunidade de expressar os seus anseios e ambições a Mesquita Machado. Do rol apresentado ao Presidente da Câmara, a pretensão do Presidente da Junta da Cividade de retirar a estátua de D. João Peculiar do Largo de S. Paulo tem merecido ampla repercussão pública.
O Presidente da Junta da Cividade, Peixoto dos Santos, alega dois motivos principais para justificar a sua pretensão, um de ordem estética, outro de ordem moral: - a escala da estátua não se adequa ao Largo de S. Paulo, ficando “perdida” no meio daquele espaço; - o báculo de forma fálica, desagrada à população em geral e às religiosas que passam frequentemente no local, em particular.
Ao longo do tempo tem ocorrido diversas polémicas em redor de estátuas, monumentos e outra iconografia colocada em lugares públicos. A polémica aparece, invariavelmente, associada à Igreja: - todos se recordam dos casos das pirâmides do monumento ao Papa João Paulo II, da projectada estátua do Cónego Melo, dos painéis heréticos do altar da Cripta do Sameiro e agora a estátua do Arcebispo D. João Peculiar.
Não existindo nenhuma imagem conhecida do antigo Arcebispo de Braga, contemporâneo do rei D. Afonso Henriques, o escultor Raul Xavier deixou a sua imaginação criativa à solta na execução do trabalho. A estátua de corpo inteiro em tamanho real apresenta diversas particularidades, como sejam os traços fisionómicos de “irredutível gaulês”, uma mitra minúscula que mais parece um elmo de guerreiro, as mangas arregaçadas, e com especial destaque o báculo que tem uma evidente forma de pénis.
A estátua foi encomendada pela Câmara de Braga para ser colocada no Largo D. João Peculiar, contíguo à Igreja da Misericórdia e à entrada lateral da Sé Catedral. O pedestal em pedra esteve mesmo colocado no local durante imenso tempo, mas a estátua nunca lá foi colocada. Compreende-se bem porquê.
Qual não terá sido a reacção das autoridades eclesiásticas quando viram a estátua pela primeira vez?...Rapidamente previram a polémica que causaria inserida num dos locais mais nobres e visitados da cidade. Para mais, quando a polémica sobre a estátua do Cónego Melo ainda estava bem acesa. De forma prudente, as autoridades promotoras da estátua decidiram deslocá-la para um local mais discreto.
Como o Largo de S.Paulo tinha sido transformado numa eira, que é a marca registada das intervenções da Câmara nos Largos e Praças da cidade e não havendo no local qualquer adorno ou chafariz foi lá inaugurada em 05 de Dezembro de 2003 a estátua de D. João Peculiar. À parte alguns comentários jocosos e risinhos trocistas dos observadores mais atentos, a coisa não provocou grande alarido.
O Presidente da Junta da Cividade, Peixoto dos Santos, alega dois motivos principais para justificar a sua pretensão, um de ordem estética, outro de ordem moral: - a escala da estátua não se adequa ao Largo de S. Paulo, ficando “perdida” no meio daquele espaço; - o báculo de forma fálica, desagrada à população em geral e às religiosas que passam frequentemente no local, em particular.
Ao longo do tempo tem ocorrido diversas polémicas em redor de estátuas, monumentos e outra iconografia colocada em lugares públicos. A polémica aparece, invariavelmente, associada à Igreja: - todos se recordam dos casos das pirâmides do monumento ao Papa João Paulo II, da projectada estátua do Cónego Melo, dos painéis heréticos do altar da Cripta do Sameiro e agora a estátua do Arcebispo D. João Peculiar.
Não existindo nenhuma imagem conhecida do antigo Arcebispo de Braga, contemporâneo do rei D. Afonso Henriques, o escultor Raul Xavier deixou a sua imaginação criativa à solta na execução do trabalho. A estátua de corpo inteiro em tamanho real apresenta diversas particularidades, como sejam os traços fisionómicos de “irredutível gaulês”, uma mitra minúscula que mais parece um elmo de guerreiro, as mangas arregaçadas, e com especial destaque o báculo que tem uma evidente forma de pénis.
A estátua foi encomendada pela Câmara de Braga para ser colocada no Largo D. João Peculiar, contíguo à Igreja da Misericórdia e à entrada lateral da Sé Catedral. O pedestal em pedra esteve mesmo colocado no local durante imenso tempo, mas a estátua nunca lá foi colocada. Compreende-se bem porquê.
Qual não terá sido a reacção das autoridades eclesiásticas quando viram a estátua pela primeira vez?...Rapidamente previram a polémica que causaria inserida num dos locais mais nobres e visitados da cidade. Para mais, quando a polémica sobre a estátua do Cónego Melo ainda estava bem acesa. De forma prudente, as autoridades promotoras da estátua decidiram deslocá-la para um local mais discreto.
Como o Largo de S.Paulo tinha sido transformado numa eira, que é a marca registada das intervenções da Câmara nos Largos e Praças da cidade e não havendo no local qualquer adorno ou chafariz foi lá inaugurada em 05 de Dezembro de 2003 a estátua de D. João Peculiar. À parte alguns comentários jocosos e risinhos trocistas dos observadores mais atentos, a coisa não provocou grande alarido.
Entendo que é importante reflectir e discutir sobre o espaço público e as diversas opções para a sua ocupação. No entanto, estranho que só agora, passados quase quatro anos da inauguração, o Presidente da Junta
venha expressar publicamente o seu desagrado. Mais se estranha ainda que tenha usado uma imagem do Largo de S. Paulo com a estátua enquadrada para a capa de um folheto editado recentemente pela Junta.
venha expressar publicamente o seu desagrado. Mais se estranha ainda que tenha usado uma imagem do Largo de S. Paulo com a estátua enquadrada para a capa de um folheto editado recentemente pela Junta.O Presidente da Junta da Cividade, em nome da harmonia do local e dos bons costumes, quer que as autoridades competentes retirem a estátua do local e a recoloquem no Largo D. João Peculiar. A Igreja, pela voz do Bispo Auxiliar D. Antonino Dias, já disse que não quer saber do caso, que “a Câmara é que encomendou a escultura e que a pagou. A diocese nunca foi ouvida”.
Por seu lado, Mesquita Machado além de ter pago com dinheiros do município uma estátua sem concurso, sem critério e sem gosto, ainda afirma à Agência Lusa que desconhece quem é o proprietário da estátua e, com sobranceria, “que não tem tempo a perder com essas coisas”.
Por seu lado, Mesquita Machado além de ter pago com dinheiros do município uma estátua sem concurso, sem critério e sem gosto, ainda afirma à Agência Lusa que desconhece quem é o proprietário da estátua e, com sobranceria, “que não tem tempo a perder com essas coisas”.
Peixoto dos Santos aspira obter um fontanário para substituir a estátua de D. João Peculiar. Esperemos que não receba em troca o chafariz renegado pela Junta de S. João do Souto na mesma reunião com o Presidente da Câmara.
(também publicado na edição de 29/08/2007 do jornal Diário do Minho)
Na sequência da publicação deste texto, o Presidente da Câmara de Braga assegurou ao jornal Correio do Minho (30 de Agosto) que a autarquia “não pagou, não encomendou, nem escolheu a estátua”. Esclareceu ainda que o antigo Deão do Cabido da Sé, Cónego Melo, “é que pode explicar melhor quem mandou fazer e quem a pagou”.
Estes novos desenvolvimentos merecem três comentários:
- folgo em saber que a amnésia de Mesquita Machado foi passageira;
- as novas declarações do presidente da Câmara contradizem completamente as proferidas antes por D. Antonino Dias. Isto é tanto mais grave porque se trata de um alto dignatário da Igreja Católica. Em quem podemos acreditar?;
- definitivamente, as estátuas não proporcionam grandes recordações ao Cónego Melo.
Estes novos desenvolvimentos merecem três comentários:
- folgo em saber que a amnésia de Mesquita Machado foi passageira;
- as novas declarações do presidente da Câmara contradizem completamente as proferidas antes por D. Antonino Dias. Isto é tanto mais grave porque se trata de um alto dignatário da Igreja Católica. Em quem podemos acreditar?;
- definitivamente, as estátuas não proporcionam grandes recordações ao Cónego Melo.
25/08/2007
24/08/2007
23/08/2007
SWATCH - "Lots of Dots"
O “Lots of Dots” foi o segundo relógio lançado para os membros do Club Swatch. O clube de fãs foi formado em 1990 na Suiça, expandindo-se rapidamente, contando hoje com milhares de membros espalhados por todo o mundo. O relógio “Lots of Dots” foi concebido pelo arquitecto italiano Alessandro Mendini, reputado teórico e editor de revistas (Casabella, Modo, Domus, etc.) e autor de diversas criações para prestigiadas marcas internacionais como a Alessi, Cappellini, Renault, Ritzenhoff, Swarovski, Vitra, etc.Mendini desenvolveu trabalhos nas mais diversas áreas – arquitectura, escultura, decoração e cenografia, design (jóias, mobiliário, vidro, utensílios, interiores, etc.)
Exerceu também as funções de director artístico da Swatch durante vários anos, tendo desenhado outros modelos para a marca como o “Cosmesis” (GM 103), “Metroscape” (GN 109) e o relógio de mesa “Monumento Mendini” (GZS02).No “Lots of Dots, Mendini explora as experiências iniciadas em 1978 com a famosa “Proust Chair”, utilizando o padrão pontilhista baseado num pormenor de um quadro do artista pós-impressionista Paul Signac.
O padrão de pontos cobre toda a superfície do relógio, dissolvendo a forma do objecto numa espécie de nebulosa de partículas flamejantes, que dão ao relógio um aspecto mágico e irreal. No centro do mostrador observa-se a assinatura do autor.
O designer italiano recorreu inúmeras vezes no seu trabalho a este tipo de padrão, sendo uma das suas imagens de marca.
Modelo: “Lots of Dots” (GZ 121) – 1991/92
O designer italiano recorreu inúmeras vezes no seu trabalho a este tipo de padrão, sendo uma das suas imagens de marca.
Modelo: “Lots of Dots” (GZ 121) – 1991/92Autor: Alessandro Mendini (Milão, 1931)
Edição: 40.070 exemplares
21/08/2007
Bento Duarte
20/08/2007
Anakeila e Cry Baby
Fanzine editado no Porto em Junho de 2006 com a participação de Inês Ferreira, Délia Silva, Isabel Carvalho, André Alves, Carla Cruz, Melissa Moreira, Pedro Augusto, Rui Silva e de Bruno Monteiro e Christina Casnellie, que são também os editores. Cada autor ocupa duas páginas, nem sempre apresentadas de forma sequencial. Aparentemente não existe qualquer ideia ou conceito partilhado a ligar os diversos trabalhos, o que é reforçado pelo carácter fragmentário da paginação.Com uma qualidade geral bastante apreciável, grande diversidade de estilos, técnicas e cores, destacam-se os trabalhos de Isabel Carvalho e de Rui Silva. Por outro lado, o trabalho de André Alves surge um pouco fragilizado, pois a serigrafia não favorece a filigrana minuciosa que é a característica fundamental dos seus desenhos.
Anakeila é serigrafado em cartolina azul clara, em formato A5, inserindo-se na mesma linha das edições da Opuntia Books e dos primeiros fanzines d’O Senhorio.
Christina Casnellie, co-responsável por Anakeila editou também Cry Baby, um fanzine policopiado em tamanho A5. Num estilo muito pessoal, a autora vai desfiando pequenas histórias de pendor reflexivo e/ou autobiográfico, utilizando ou a linguagem da banda desenhada (curtas de duas páginas, no máximo), ou um formato mais próximo da ilustração. Os textos maioritariamente em inglês, versam vários temas, com pendor especial para as questões de género, feminismo, relações de poder e preconceitos vários são as principais linhas condutoras de Cry Baby, sendo natural a sua inserção (criação?) no contexto dos trabalhos e das exposições “All My Independent Women”.
Na última página é apresentado um texto em colunas e letra de imprensa com ilustrações vintage apontando vários conselhos “úteis” aos jovens esposos e cavalheiros, num registo de ironia e humor próximo das histórias da pilinha do saudoso Zundap.
Dois fanzines muito recomendáveis que podem ser solicitados a christinacasnellie@alfaiataria.org ou alfaiatariavisual@gmail.com.
19/08/2007
05/08/2007
Univ. Minho - na vanguarda da estratégia?
Em Maio de 2005 foi criado o Conselho Estratégico da Universidade do Minho como órgão de consulta e aconselhamento da Reitoria. Neste tipo de órgão, pretende-se agregar personalidades externas à Universidade, com reputação e domínio dos factores críticos para a UM, tais como: desenvolvimento regional, inovação, transferência de tecnologia, intervenção cultural, internacionalização, etc.Além da equipa reitoral constituem o Conselho Estratégico (CE), os seguintes elementos: António Carrapatoso (Vodafone), Filipe de Botton (Logoplaste), João Picoito (Siemens), João Salgueiro (Assoc. Port. Bancos), Leonor Beleza (Fund. Champalimaud), Paquete de Oliveira (Provedor RTP), Sérgio Machado Santos (ex-Reitor UM), Carlos Bernardo (ex-Vice Reitor UM e Instituto Ibérico de Nanotecnologia), entre outros nacionais e estrangeiros.
Como estas personalidades ocupam posições de destaque na sociedade e no mundo empresarial podem funcionar como lobby a favor da UM e também como agentes facilitadores de parcerias e colaborações entre a Universidade e as instituições representadas no Conselho. Por outro lado, a agenda profissional sobrecarregada destes elementos impede-os, muitas vezes, de terem a disponibilidade necessária para o seu efectivo envolvimento no CE.
O “think tank” da Universidade do Minho reuniu pela 5.ª vez no final do mês de Julho, num cenário de grande incerteza e instabilidade no ensino superior, com sucessivos cortes orçamentais, “processo de Bolonha”, novo Regime Jurídico, redução do n.º de alunos, aumento das propinas, insucesso escolar e iliteracia, estagnação da economia, ausência de saídas profissionais, etc.
Na sequência desta reunião foi divulgada uma Carta Aberta ao Estado onde, no essencial, se diz que é premente a clarificação do “quadro de apoio financeiro de médio prazo” e o “respeito pelo compromissos plurianuais formalmente assumidos”. Reclamam para as universidades “uma verdadeira autonomia e capacidade de gestão” e “regras de desempenho que não penalizem o sucesso na obtenção de receitas próprias, na redução de custos e na participação em programas internacionais”. Na Carta Aberta refere-se ainda que no quadro do alargamento da UE e da globalização “grande parte das nossas estruturas produtivas não tem condições de sobrevivência”, considerando inadiável uma “maior qualificação dos cidadãos” para que estes disponham de “mais oportunidades e melhor possam realizar as suas aspirações pessoais e profissionais”. Alertam também que a “precaridade e incerteza de expectativas, desencoraja a valorização dos docentes, o aprofundamento dos programas de investigação e o estabelecimento de relações de parceria com actividades empresariais”.
Perante o conteúdo desta Carta Aberta, impõe-se fazer uma pergunta: - será necessário reunir tantos “notáveis” para afirmar aquilo que é óbvio para toda a gente?
(também publicado na edição de 10/08/2007 do jornal Diário do Minho)
01/08/2007
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