18/07/2007
14/07/2007
O Sp. Braga, a Câmara, o Estádio e o nome dele
Devo esclarecer desde já o seguinte: sou adepto do Sp. Braga e avalio, globalmente, de forma muito positiva o trabalho da actual Direcção. Depois de João G. Oliveira ter iniciado a inversão de um ciclo desastroso no plano desportivo e financeiro, António Salvador conseguiu projectar o clube para um patamar inimaginável há uns anos atrás.
Desde que me lembro, a Câmara Municipal de Braga (CMB) pela mão de Mesquita Machado, teve sempre um papel preponderante na vida do clube, ora através da atribuição de diversos subsídios e terrenos, ora através da interferência directa na composição dos diversos elencos directivos. O presidente da Câmara disse por este dias que “não vou morrer sem o Sp. Braga ser campeão nacional”, confirmando que em relação ao clube, segue mais o coração do que a cabeça.
Numa simples análise custo/benefício, constata-se que a construção do novo Estádio apresenta imensos custos e apenas dois benefícios: 1) os praticantes e os espectadores de futebol profissional beneficiam de uma melhoria da qualidade do recinto; 2) teoricamente, a qualidade arquitectónica/monumental do Estádio, pode favorecer a oferta turística da cidade, embora seja muito difícil quantificar o acréscimo de turistas devido exclusivamente à existência do Estádio. De qualquer forma, não se prevê que cheguem todos os dias voos charter cheios de nórdicos para verem uma obra megalómana sem nada dentro.
Os custos são muitos, pelo que refiro apenas os que considero mais relevantes:
1) desde logo, o custo de oportunidade: não é serviço público construir estádios para o futebol profissional, em detrimento de outros investimentos socialmente mais úteis e versáteis para os bracarenses;
2) a construção do Estádio não tem qualquer efeito de alavancagem económica para a cidade; nem é um instrumento da política de desenvolvimento desportivo da cidade, pois só serve o futebol profissional;
3) não tendo sido encontrada uma solução satisfatória para o Estádio 1.º de Maio, o novo Estádio implica a duplicação da factura de gestão e manutenção a pagar pelos bracarenses;
4) o custo total do novo Estádio ascendeu a mais de 130 milhões de euros. O Estado/Adm. Central só comparticipou globalmente a obra com cerca de 10 milhões de euros, sendo necessário recorrer a empréstimos bancários na ordem dos 77 milhões de euros (os juros a pagar ascendem a mais de 35 milhões de euros), a amortizar em 20 anos, com 2 anos de período de carência.
O Estádio Municipal de Braga foi o projecto que teve o maior custo efectivo do Euro 2004. Esta situação só foi possível porque “os custos com a construção do novo estádio de Braga não constituíram nem uma preocupação, nem uma prioridade da CMB, que transferiu essa decisão para o projectista” *. Pois bem, o Grande Artista do Estádio interpôs uma acção em Tribunal contra a CMB reclamando o pagamento de honorários relativos a trabalhos a mais, pelo que a factura total do Estádio ainda pode agravar-se.
A decisão de construir o Estádio Municipal de Braga, foi um erro de dimensões megalíticas, cujas consequências ainda não estão completamente apuradas, mas que, de certeza, penalizarão fortemente os bracarenses nas próximas décadas.
Com o Estádio construído, urge procurar formas para o rentabilizar. Desde a inauguração há 3 anos e meio, só me recordo de meia dúzia de actividades extra-futebol realizadas na área do Estádio e três são concertos do Tony Carreira. Daqui pode concluir-se que nem a Câmara tem capacidade para a gestão do espaço, nem daí vai resultar qualquer benefício económico/financeiro para o município.
Para a utilização desportiva do novo estádio, foi estabelecido um contrato-programa entre a CMB e o Sp. Braga, onde basicamente, o clube fica com todas as componentes que geram receita, pagando apenas uma renda anual de cerca de 6.000 euros. À CMB cabem as obrigações: manutenção do estádio e espaços exteriores, tratar o relvado, limpeza das bancadas, dos espaços de circulação, dos espaços exteriores, assegurar a gestão técnica do estádio, segurança, etc.
Neste contexto, não me repugna que se ceda o nome do Estádio para efeitos publicitários, com as devidas contrapartidas. A AXA Seguros parece-me uma empresa sólida e credível, sendo, à partida, um bom parceiro para este negócio. Na medida em que a publicidade se estende também às camisolas e outros suportes de imagem do clube, o Sp. Braga será o melhor interlocutor para negociar a sponsorização global.
Sendo o Estádio propriedade municipal, o seu nome também o é, pelo que a cedência dos direitos do nome tem que representar alguma contrapartida para o município. Caso contrário, estamos perante um verdadeiro pacto leonino onde uma das partes tem todos os direitos e a outra todas as obrigações.
Mesquita Machado sonha ver o Sp. Braga campeão. Eu também, mas não a qualquer preço.
Desde que me lembro, a Câmara Municipal de Braga (CMB) pela mão de Mesquita Machado, teve sempre um papel preponderante na vida do clube, ora através da atribuição de diversos subsídios e terrenos, ora através da interferência directa na composição dos diversos elencos directivos. O presidente da Câmara disse por este dias que “não vou morrer sem o Sp. Braga ser campeão nacional”, confirmando que em relação ao clube, segue mais o coração do que a cabeça.
Numa simples análise custo/benefício, constata-se que a construção do novo Estádio apresenta imensos custos e apenas dois benefícios: 1) os praticantes e os espectadores de futebol profissional beneficiam de uma melhoria da qualidade do recinto; 2) teoricamente, a qualidade arquitectónica/monumental do Estádio, pode favorecer a oferta turística da cidade, embora seja muito difícil quantificar o acréscimo de turistas devido exclusivamente à existência do Estádio. De qualquer forma, não se prevê que cheguem todos os dias voos charter cheios de nórdicos para verem uma obra megalómana sem nada dentro.
Os custos são muitos, pelo que refiro apenas os que considero mais relevantes:
1) desde logo, o custo de oportunidade: não é serviço público construir estádios para o futebol profissional, em detrimento de outros investimentos socialmente mais úteis e versáteis para os bracarenses;
2) a construção do Estádio não tem qualquer efeito de alavancagem económica para a cidade; nem é um instrumento da política de desenvolvimento desportivo da cidade, pois só serve o futebol profissional;
3) não tendo sido encontrada uma solução satisfatória para o Estádio 1.º de Maio, o novo Estádio implica a duplicação da factura de gestão e manutenção a pagar pelos bracarenses;
4) o custo total do novo Estádio ascendeu a mais de 130 milhões de euros. O Estado/Adm. Central só comparticipou globalmente a obra com cerca de 10 milhões de euros, sendo necessário recorrer a empréstimos bancários na ordem dos 77 milhões de euros (os juros a pagar ascendem a mais de 35 milhões de euros), a amortizar em 20 anos, com 2 anos de período de carência.
O Estádio Municipal de Braga foi o projecto que teve o maior custo efectivo do Euro 2004. Esta situação só foi possível porque “os custos com a construção do novo estádio de Braga não constituíram nem uma preocupação, nem uma prioridade da CMB, que transferiu essa decisão para o projectista” *. Pois bem, o Grande Artista do Estádio interpôs uma acção em Tribunal contra a CMB reclamando o pagamento de honorários relativos a trabalhos a mais, pelo que a factura total do Estádio ainda pode agravar-se.
A decisão de construir o Estádio Municipal de Braga, foi um erro de dimensões megalíticas, cujas consequências ainda não estão completamente apuradas, mas que, de certeza, penalizarão fortemente os bracarenses nas próximas décadas.
Com o Estádio construído, urge procurar formas para o rentabilizar. Desde a inauguração há 3 anos e meio, só me recordo de meia dúzia de actividades extra-futebol realizadas na área do Estádio e três são concertos do Tony Carreira. Daqui pode concluir-se que nem a Câmara tem capacidade para a gestão do espaço, nem daí vai resultar qualquer benefício económico/financeiro para o município.
Para a utilização desportiva do novo estádio, foi estabelecido um contrato-programa entre a CMB e o Sp. Braga, onde basicamente, o clube fica com todas as componentes que geram receita, pagando apenas uma renda anual de cerca de 6.000 euros. À CMB cabem as obrigações: manutenção do estádio e espaços exteriores, tratar o relvado, limpeza das bancadas, dos espaços de circulação, dos espaços exteriores, assegurar a gestão técnica do estádio, segurança, etc.
Neste contexto, não me repugna que se ceda o nome do Estádio para efeitos publicitários, com as devidas contrapartidas. A AXA Seguros parece-me uma empresa sólida e credível, sendo, à partida, um bom parceiro para este negócio. Na medida em que a publicidade se estende também às camisolas e outros suportes de imagem do clube, o Sp. Braga será o melhor interlocutor para negociar a sponsorização global.
Sendo o Estádio propriedade municipal, o seu nome também o é, pelo que a cedência dos direitos do nome tem que representar alguma contrapartida para o município. Caso contrário, estamos perante um verdadeiro pacto leonino onde uma das partes tem todos os direitos e a outra todas as obrigações.
Mesquita Machado sonha ver o Sp. Braga campeão. Eu também, mas não a qualquer preço.
* - Relatório da Auditoria do Tribunal de Contas, nº 37/05, 2.ª Fase.
(também publicado na edição de 17/07/2007 do jornal Diário do Minho)
Carla Cruz - O Quarto de Costura
Numa casa senhorial barroca no centro de Braga instala-se o Museu dos Biscainhos, museu de artes decorativas, eu diria uma casa museu, no entanto nada do seu recheio pertenceu à casa, ou melhor, à família que sempre aí habitou, ao seu último proprietário, o 3º Visconde de Paço de Nespereira que vendeu o imóvel nos anos 70. Contudo apresenta-se ali a ficção da vivência da sociedade nobre portuguesa.Uma das salas está disposta de forma a apresentar um espaço vivido por mulheres e espelhando uma das pinturas da sala, instalou-se um estrado no centro, coberto com tapetes e almofadões, onde dificilmente imagino, se sentariam as mulheres para ler e dedicarem-se aos ditos lavores femininos, receberem as visitas e conversarem.
Numa outra ala da casa, replico a sala das mulheres, num quarto a que dão o nome de sala das abelhas por apresentar as paredes decoradas com este animal. De início é bastante inquietante, até porque me parecem moscardos e não abelhas, mas com o tempo habituamo-nos às cores e ao enxame.
Estrado e almofadões não poderiam faltar, mas actualizados com os padrões de hoje, os meus claro. Chá e línguas-de-gato são oferecidos ao que escolhem visitar-me e sentar-se para uma possível sessão de corte e costura. Havia um PC portátil com acesso à Internet, caso quiséssemos ver alguma coisa online; um Ipod ligado a colunas altifalantes, porque é bom ter música na sala; uma pequena selecção de livros importantes para mim neste contexto, The City of Ladies de Christine de Pizan, Caras Baratas_antologia de Adília Lopes, Scum Manifesto de Valerie Solanas, Embroideries de Marjane Satrapi e Dicionário da Crítica Feminista de Ana Gabriela Macedo e Ana Luísa Amaral; um conjunto de agulhas de tricotar e um conjunto de agulhas de fazer meia, porque se nada houvesse para fazer poderia ficar a pensar na morte da bezerra sem que ninguém desse por nada, porque para todos os efeitos estaria a tricotar, mas na realidade já não tricoto nada de útil há muito tempo, faço e desfaço, em algodão branco.
Recentemente o mundo tem visto crescer o movimento de mulheres que tricotam juntas, internacionalmente chamam a estes encontros: Stitch’n’Bitch, ou seja, corte e costura, aquilo que dizem que fazem as mulheres quando se encontram - falam da vida alheia. Mas acho que essencialmente falam da vida, partilham experiências, ouvem; o tricot é apenas pretexto.
Assim propus-me a habitar a casa museu dos Biscainhos, criando um espaço onde as pessoas pudessem conversar. Trazendo a minha possível sala de estar para o contexto do Museu. Assim fizeram os artistas da estética apelidada por Bourriaud de Estética Relacional, artistas como Rirkrit Tiravanija. Criticados, e preocupação crítica que partilho, por trazerem para os museus tácticas activistas e sociais e até mesmo situacionistas, domesticando-as, estetizando-as. Acabo por criar uma situação semelhante. Poderia dizer a ficha técnica à maneira desta estética: instalação com (todos os objectos nomeados) e pessoas. Perante um convite que aceitei para intervir no contexto da colecção e arquitectura do Museu dos Biscainhos, não poderia fazer outra coisa senão habitá-lo, contudo não creio que me insira nesta estética.
Carla Cruz, texto publicado em asaladasabelhas
foto: João Acciaioli Catalão
09/07/2007
O Circo e a Cidade
O recente Protocolo de Colaboração estabelecido entre a Companhia de Teatro de Braga (CTB) e o Theatro Circo, S.A., aprovado na reunião do executivo camarário de 28 de Junho, suscita-me várias perplexidades:
- mesmo sabendo que os homens do palco têm grande facilidade em assumir os mais diversos papéis, não deixo de ficar perplexo com o facto de Rui Madeira director, encenador, protagonista principal da CTB, e simultaneamente, administrador-executivo do Theatro Circo, S.A., elaborar, negociar e assinar um Protocolo no qual ele é sempre parte envolvida. Os objectivos e interesses das duas entidades serão coincidentes em algumas matérias, mas também serão, de certeza, conflituantes noutras. A necessidade de estabelecer um documento, seja ele um protocolo, acordo ou contrato evidencia, precisamente, que há situações que importa clarificar, negociar e plasmar no papel, acautelando, da melhor forma possível, os interesses das distintas partes envolvidas.
Em todo este processo, Rui Madeira procurou defender os interesses de qual das entidades?
Será isto um simples ensaio de uma peça a apresentar pela sua Companhia de Teatro, onde, num momento, vemos Rui Madeira a degladiar-se pelos interesses da CTB e depois do outro lado da mesa, Rui Madeira, novamente, agora investido na sua qualidade de administrador-executivo, a defender acerrimamente os interesses do Teatro Circo?
Este monólogo pode ser muito teatral, mas a gestão de uma importante estrutura bracarense, na qual foi feito um investimento de largos milhões de euros públicos, não se compadece com esta situação de gritante conflito de interesses, com consequências directas no perfil da programação e na gestão financeira do Teatro Circo;
- sendo a CTB uma entidade privada e tendo o Teatro Circo assumido a forma jurídica de sociedade anónima, fico perplexo ao ver submetido à aprovação do executivo camarário um Protocolo de Colaboração entre estas duas entidades.
Excluindo o subsídio a atribuir pela Câmara Municipal à Companhia de Teatro, não consigo entender a necessidade da aprovação pelo executivo camarário de um Protocolo de Colaboração entre a CTB e o Theatro Circo, S.A. Então para que é que se constituiu a sociedade anónima, se não tem sequer autonomia para estabelecer um Protocolo de Colaboração com uma estrutura que terá o estatuto de companhia residente? A não ser que a sociedade anónima só sirva de mero expediente jurídico para facilitar e aligeirar as regras de contratação de colaboradores, de aquisição de bens e serviços, de concessão de espaços, etc., conforme as conveniências?...
- tendo ficado protocoladas 90 representações/ano da responsabilidade da CTB no Teatro Circo, o perfil da programação da sala de espectáculos ficará fortemente vinculado à CTB e às suas escolhas. Qual o papel de Paulo Brandão, director de programação, em todo este processo? Se é Rui Madeira que programa 90 espectáculos a apresentar durante o ano, qual a função do programador? Será apenas a de organizar um punhado de concertos de música?
Mantendo-se a premissa enunciada por Mesquita Machado de não subsidiar a programação do Teatro Circo, cobrindo apenas os custos de funcionamento, e como a bilheteira das 90 representações da responsabilidade da CTB nada beneficia o Teatro Circo, só se pode prever a degradação contínua do nível da programação.
Para isto, não vejo justificação para o esforço financeiro que implicou a contratação de Paulo Brandão.
- mesmo sabendo que os homens do palco têm grande facilidade em assumir os mais diversos papéis, não deixo de ficar perplexo com o facto de Rui Madeira director, encenador, protagonista principal da CTB, e simultaneamente, administrador-executivo do Theatro Circo, S.A., elaborar, negociar e assinar um Protocolo no qual ele é sempre parte envolvida. Os objectivos e interesses das duas entidades serão coincidentes em algumas matérias, mas também serão, de certeza, conflituantes noutras. A necessidade de estabelecer um documento, seja ele um protocolo, acordo ou contrato evidencia, precisamente, que há situações que importa clarificar, negociar e plasmar no papel, acautelando, da melhor forma possível, os interesses das distintas partes envolvidas.
Em todo este processo, Rui Madeira procurou defender os interesses de qual das entidades?
Será isto um simples ensaio de uma peça a apresentar pela sua Companhia de Teatro, onde, num momento, vemos Rui Madeira a degladiar-se pelos interesses da CTB e depois do outro lado da mesa, Rui Madeira, novamente, agora investido na sua qualidade de administrador-executivo, a defender acerrimamente os interesses do Teatro Circo?
Este monólogo pode ser muito teatral, mas a gestão de uma importante estrutura bracarense, na qual foi feito um investimento de largos milhões de euros públicos, não se compadece com esta situação de gritante conflito de interesses, com consequências directas no perfil da programação e na gestão financeira do Teatro Circo;
- sendo a CTB uma entidade privada e tendo o Teatro Circo assumido a forma jurídica de sociedade anónima, fico perplexo ao ver submetido à aprovação do executivo camarário um Protocolo de Colaboração entre estas duas entidades.
Excluindo o subsídio a atribuir pela Câmara Municipal à Companhia de Teatro, não consigo entender a necessidade da aprovação pelo executivo camarário de um Protocolo de Colaboração entre a CTB e o Theatro Circo, S.A. Então para que é que se constituiu a sociedade anónima, se não tem sequer autonomia para estabelecer um Protocolo de Colaboração com uma estrutura que terá o estatuto de companhia residente? A não ser que a sociedade anónima só sirva de mero expediente jurídico para facilitar e aligeirar as regras de contratação de colaboradores, de aquisição de bens e serviços, de concessão de espaços, etc., conforme as conveniências?...
- tendo ficado protocoladas 90 representações/ano da responsabilidade da CTB no Teatro Circo, o perfil da programação da sala de espectáculos ficará fortemente vinculado à CTB e às suas escolhas. Qual o papel de Paulo Brandão, director de programação, em todo este processo? Se é Rui Madeira que programa 90 espectáculos a apresentar durante o ano, qual a função do programador? Será apenas a de organizar um punhado de concertos de música?
Mantendo-se a premissa enunciada por Mesquita Machado de não subsidiar a programação do Teatro Circo, cobrindo apenas os custos de funcionamento, e como a bilheteira das 90 representações da responsabilidade da CTB nada beneficia o Teatro Circo, só se pode prever a degradação contínua do nível da programação.
Para isto, não vejo justificação para o esforço financeiro que implicou a contratação de Paulo Brandão.
(também publicado na edição de 10/07/2007 do jornal Diário do Minho)
08/07/2007
SWATCH - "Blue Pasta"
Gosto dos relógios Swatch, e o “Blue Pasta” dá início à escolha mensal de um modelo da minha preferência.A Swatch foi fundada por Nicolas Hayek no princípio dos anos 80 do século passado, num contexto de grave crise da centenária indústria relojoeira suiça, provocada pela forte concorrência dos relógios de quartzo vindos do Japão a preços muito reduzidos.
Hayek inventou o conceito Swatch – um relógio de qualidade, com design inovador e barato - revolucionando a ideia convencional de relógio (instrumento de medida do tempo) transformando-o em adereço e acessório de moda. Dantes, um relógio era para toda a vida, com a Swatch temos 2 colecções por ano – Primavera/Verão e Outono/Inverno, à imagem do que se passa no mundo da moda. Foram introduzidas inovações ao nível do design e da engenharia de produto, designadamente a eliminação de cerca de 50 peças do mecanismo dos relógios tradicionais, automatizando-se ao máximo a produção.
A procura de criatividade e fantasia levou a marca a convidar os mais diversos artistas e criadores para conceberem relógios da sua autoria. É assim que surge a “Swatch Art Special” inaugurada em 1985 com um modelo assinado pelo artista Kiki Picasso.
Em 1994 é lançado “Blue Pasta”, desenhado pelo espanhol Miralda, fazendo parte de um conjunto “The Artist Collection” de 6 relógios assinados por outros tantos artistas. Cada vez temos menos tempo, e o relógio de Miralda é uma homenagem ao tempo que levamos a apreciar uma refeição inesquecível.
Modelo: “Blue Pasta” (GG 138) – 1994Autor: Antoni Miralda (Barcelona, 1942)
Edição: 50.000 + 5.000 (cx acrílico com os 6 modelos da colecção)
04/07/2007
28/06/2007
24/06/2007
COIL - The Ape of Naples
O último álbum de estúdio dos Coil, apresenta onze temas reunidos por Peter Christopherson, tendo sido editado após a morte prematura, em Novembro de 2004, de John Balance, vocalista e membro fundador de um dos mais extraordinários e originais grupos musicais de sempre.
Seis das onze músicas do disco datam das míticas sessões de estúdio com Trent Reznor, gravadas há mais de uma década, para um álbum com o título provisório Backwards que seria lançado pela editora do vocalista dos Nine Inch Nails, e que foi sendo sucessivamente adiado e nunca concretizado.
Outras, como “A Cold Cell” e "The Last Amethyst Deceiver", já eram conhecidas de concertos e de discos anteriores ("Teenage Lightning 2005"). No entanto, estes temas surgem em The Ape of Naples em versões completamente retrabalhadas. Apesar da origem dispersa dos temas, o disco apresenta uma grande unidade e coerência.
Todos os temas do disco são vocalizados por Balance em diversos registos, mas sempre com grande beleza e intensidade. Ao contrário do que é habitual nos Coil, não há temas instrumentais, parecendo que Christopherson e restantes colaboradores fizeram questão em sublinhar a importância do malogrado vocalista na definição do universo estético do grupo.
Seis das onze músicas do disco datam das míticas sessões de estúdio com Trent Reznor, gravadas há mais de uma década, para um álbum com o título provisório Backwards que seria lançado pela editora do vocalista dos Nine Inch Nails, e que foi sendo sucessivamente adiado e nunca concretizado.
Outras, como “A Cold Cell” e "The Last Amethyst Deceiver", já eram conhecidas de concertos e de discos anteriores ("Teenage Lightning 2005"). No entanto, estes temas surgem em The Ape of Naples em versões completamente retrabalhadas. Apesar da origem dispersa dos temas, o disco apresenta uma grande unidade e coerência.
Todos os temas do disco são vocalizados por Balance em diversos registos, mas sempre com grande beleza e intensidade. Ao contrário do que é habitual nos Coil, não há temas instrumentais, parecendo que Christopherson e restantes colaboradores fizeram questão em sublinhar a importância do malogrado vocalista na definição do universo estético do grupo.
The Ape of Naples constitui uma grande homenagem ao génio artístico de John Balance, assumindo-se desde já como um clássico absoluto ao nível de discos como HorseRotorvator, L.S.D e da série Musick to Play in the Dark.
Fire Of The Mind / The Last Amethyst Deceiver / Tattooed Man / Triple Sun / It's In My Blood / I Don't Get It / Heaven's Blade / Cold Cell / Teenage Lightning 2005 / Amber Rain / Going Up
UK CD Threshold House THRESH2, 02/12/2005
Jhonn Balance, Peter Christopherson, Drew McDowell, Simon Norris, Thighpaulsandra, Cliff Stapleton, Mike Yorke, Francois Testory (voc. on 11). Ian Johnstone - artwork
20/06/2007
17/06/2007
a horse of a different color
16/06/2007
Imagens e textos sobre a exposição on the other hand / sombra_clara que decorreu entre 19 de Maio e 19 de Junho no Museu dos Biscainhos em Braga, podem ser vistos em: asaladasabelhas.blogspot.com, dedalnodedo.blogspot.com, khamaseen.blogspot.com, psombra.blogspot.com, sempalco.blogspot.com, teresaluzio.blogspot.com, www.exteril.com .
13/06/2007
on the other hand / sombra_clara
O Museu dos Biscainhos recebe de 19 de Maio a 19 de Junho a intervenção colectiva de um conjunto heterogéneo de artistas contemporâneos que se integra ao longo de todo o seu percurso expositivo.
Localizado no centro histórico de Braga, o museu é tutelado pelo Ministério da Cultura e está instalado num palácio setecentista cujas primeiras referências conhecidas são anteriores ao século XVII, tendo vindo a receber sucessivas alterações e ampliações ao longo dos séculos seguintes. É particularmente relevante no imóvel a convivência harmoniosa entre as influências barroca e neoclássica e o enquadramento desse conjunto arquitectónico com um magnífico e convidativo jardim que se desdobra em terraços distintos e surpreende os visitantes quando o descobrem em pleno coração da cidade.
A exposição permanente do Museu dos Biscainhos reúne, numa apresentação contextualizada que mimetiza o formato de uma casa-museu e que procura ser representativa do que seria a decoração interior de uma residência senhorial barroca dos séculos XVII e XVIII, objectos e colecções com origem diversa e exterior à ocupação original do edifício (adquirido vazio para a criação do actual museu em 1963). A multiplicidade de projecções históricas e pessoais associadas aos cenários e objectos propostos é assim reforçada de uma forma não intencional, embora esse efeito indirecto seja, de um modo geral, um aspecto expositivo irrelevante e pouco perceptível ao visitante. O objectivo deste projecto é convocar um outro olhar (literalmente “on the other hand”, o que justifica a não tradução do título) sobre essa elasticidade/invisibilidade de fundo emanada pelo museu (visto aqui, em referência às origens desse tipo de instituição, como um antigo “gabinete de curiosidades” actualizado como gabinete de elasticidades), relacionando-a com a vivência humana enquanto co-geradora voluntária e involuntária de uma persistência em grande parte invisível que se prolonga, acumula e interliga a longo espaço ao meio envolvente e às gerações futuras (ou quem sabe, potenciais próximas, para abranger igualmente uma possível coexistência de dimensões ou a hipotética ilusão desta em que vivemos). Uma persistência intangível e integradora, simultaneamente concreta e abstracta (e transversal ao conhecimento cientifico, à subjectividade e aos domínios do simbólico e da transcendência), que é aqui denominada sombra-clara (incorporando desse modo também uma vertente de co-responsabilidade individual e colectiva face à mesma) em analogia à natureza desconhecida e não detectável da matéria negra, cuja existência como “esqueleto gravitacional” é, no presente, uma dedução necessária da ciência para explicar a estabilidade e a sincronicidade de expansão do universo. E realçar assim a pertinência e a importância estruturantes que a consciência ética e holística desta ubiquidade de presença e interrelação pode assumir na promoção de uma maior proximidade e continuidade com o todo envolvente e consequentemente, na construção de um desenvolvimento mais afectivo e sustentável na diversidade.
João Acciaioli Catalão
Se é verdade que na natureza tudo conspira, é natural que conspire também tudo quanto de intangível se nos depara, modelando ou traçando a vida. Sabemos das coisas as suas relações imediatas com as pessoas que as produziram, com as pessoas que as utilizaram, mas isso não basta, as coisas podem confluir para uma relação menos apreensível e que se traça a partir dos meandros inescapáveis da coincidência, que será um outro modo de dizer a vontade nem sempre entendida que a natureza tem sobre todas as coisas do mundo.Se a natureza tem vontade sobre todas as coisas do mundo, o mais que fazemos é acender pequenas luzes que possam, aqui e acolá, deixar ver o que não estava a ser visto. Trazer para a claridade uma conexão entre cada ponto que possa, num dado momento, revelar presenças ao nosso espírito como antes não acontecia.
O Museu dos Biscainhos, detentor de uma colecção de objectos outrora desconexa, é o exemplo acabado da confluência de coisas que se tinham desligadas entre si e que, por aquela coincidência importante, que pode ser na verdade a vontade da natureza, revela relações preciosas que surgem ao nosso espírito e trazem à consciência o quanto nos escapa da regência natural das coisas.
Para pensar ou propor novas relações, a exposição que ora se apresenta busca habitar o Museu dos Biscainhos como intromissão pacífica no seu estado mais habitual e, porque tudo está em devir, muito do que se expõe temporariamente poderá apontar para pormenores da sua identidade que até agora se deixaram invisíveis. Para trazer ao de cima a identidade estranha que regula o somatório das peças que compõem o Museu, cada artista intervém do modo como o espaço, concebido nessa totalidade, lhe sugeriu intervir. Em prol de uma noção de museu vivo, onde cada coisa está à espera de ser completada uma e outra vez sem fim, numa espantosa pesquisa do extenso lastro das coisas, da elasticidade da sua existência e do tanto que ela pode implicar e vir a implicar.
valter hugo mãe
Subscrever:
Mensagens (Atom)






