'Pin up' - 230x150cm - 2008
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26/02/2009
09/02/2009
16/01/2009
26/11/2008
27/10/2008
02/10/2008
06/09/2008
22/07/2008
10/07/2008
labor e assombro
Depois de ter sido durante os seus tempos áureos a Casa Mãe da Congregação Beneditina de Portugal e do Brasil, depois de um período de negligência, delapidação e abandono, depois de ter experimentado um programa integrado de restauro e recuperação, o Mosteiro de São Martinho de Tibães prepara-se para iniciar um capítulo essencial no seu processo de reabilitação. Com uma origem cujas primeiras referências remontam ao início do século XI, (e de forma não documentada à época dos Suevos e de São Martinho de Dume, no século VI), com traços arquitectónicos dominantes que correspondem às remodelações empreendidas ao longo dos séculos XVII e XVIII, o imponente complexo monástico assiste no presente à conclusão dos trabalhos levados a cabo na Ala Sul, Noviciado e Claustro do Refeitório, este último e parte das alas Sul e Nascente destruídos por um grande incêndio no final do século XIX, já depois da extinção das ordens religiosas em Portugal. Como corolário destas novas valências e percursos expositivos o Mosteiro vai voltar a ser novamente um espaço habitado, passando a albergar uma pequena comunidade religiosa feminina responsável pela manutenção de uma hospedaria e de um restaurante abertos ao público.
Esta expectativa de primavera em Tibães assume neste projecto de intervenção artística um efeito galvanizante que intensifica o silêncio e a sobreposição de vivências que caracterizaram a organicidade beneditina e que abrangem ainda mais de um século de propriedade privada na fase anterior à sua aquisição pelo estado em 1986. Da ruralidade envolvente ao acolhimento dos inúmeros artistas e artífices que deixaram no património edificado e na cerca conventual o cosmopolitismo da sua passagem, do relacionamento com a comunidade de inserção às responsabilidades administrativas da Congregação, da complexidade das zonas de serviço ao desenho cuidado dos locais de oração, reunião, estudo e contemplação, do seguimento dos preceitos da Regra à concretização dos seus pressupostos pedagógicos de ensino e evangelização, da ênfase dada ao silêncio e ao trabalho manual à preocupação com os malefícios da “murmuração”, do papel desempenhado no passado aos princípios de incorporação e interpretação museológicos actuais, há um profundo diálogo e mediação entre as necessidades e desafios de ordem prática e a vocação espiritual que orientou a construção e a preservação da instituição que estabeleceu aqui um quotidiano de abnegação individual e opulência colectiva, de sacrifício, persistência e dedicação.
Sintetizado no lema “ora e labora” da organização fundada sobre a autoridade do Abade e da Regra de São Bento ou na coexistência da propriedade agrícola particular com o funcionamento da Igreja Paroquial e, mais recentemente, na convivência entre essa realidade marcadamente rural e imbuída de uma religiosidade festiva e popular e as novas funções e exigências museológicas, há em Tibães uma conjugação intensa das dimensões do temporal e do sagrado que aí se interceptam admiravelmente. E que constituem os pressupostos de intervenção que impregnam a identidade deste projecto de habituação ao espaço na contemporaneidade. Combinando o labor produtivo ou conducente ao assombro como objecto de concretização e fruição tangível ao próprio assombro enquanto finalidade directora e crença espiritual na transcendência do invisível.
É com esse enquadramento perceptivo que os visitantes da exposição são convidados a percorrer, paralelamente aos percursos permanentes do programa de visita, as derivas e desdobramentos habitados, vincados pela água e pela liturgia das horas “que ritma a embarcação sanguínea”(*). Na expectativa do reconhecimento e da surpresa na respiração do outro. Na navegação suspensa sobre o infinito “de quem avista uma praça fora do mundo” (*).
(*) Daniel Faria, poeta e monge beneditino falecido em 1999
01/08/2007
26/07/2007
Ricardo Fiúza
“figura de convite masculina e feminina”, acrílico s/ tela, 2007
Depois de ter participado na exposição colectiva “Rewind Space Forward”, organizada em 1997 no Museu dos Biscainhos, foi com alegria e responsabilidade acrescida que aceitei, dez anos depois, o convite para participar neste novo projecto. Com base na importância do testemunho do museu, no contexto do barroco nacional, em articulação com a lógica expositiva da colecção e do seu acervo, pretendeu-se com esta iniciativa, convocar um outro olhar. De uma forma a que se gerassem e multiplicassem novos canais de diálogo entre as obras do passado e do presente, produzindo-se novas vias para os discursos expositivos
Tratando-se de um museu que privilegia as facetas e aspectos da vida privada e doméstica, de uma casa senhorial, procurei intervir numa área da casa que ao mesmo tempo evidenciasse bem estas características e também tivesse uma grande riqueza simbólica. Escolhi a zona do átrio e escadaria do edifício, para fazer uma reinterpretação e reinvenção pessoal das “Figuras de Convite”. Estas figuras únicas das casas senhoriais portuguesas, representavam pessoas (lacaios, damas, guerreiros), que trajavam a rigor e estavam colocadas nas entradas dos palácios, para dar as boas vindas e receber os visitantes. Eram um dos principais símbolos do protocolo aristocrático, do poder e riqueza da época barroca.
As duas obras que fiz para este projecto, têm como ponto de partida o imaginário da série de desenhos “Quem Pontua um Ponto…”, realizados por mim nos anos 90. São criaturas representadas em tamanho natural, em pose de vénia e reverência, retiradas de um possível conto fantástico. Estes seres alados com sentimentos humanos, têm atributos especiais, que remetem para a omnipresença e para um tom marcial (alabarda, escudo, capacete). Porque têm a capacidade de estar em todos os locais e em qualquer momento, e a função de serem intermediários do espaço e do tempo, entre o exterior e o interior do palácio, entre o passado e o presente. São os mensageiros e guardiães, executores das leis e protectores, que tomam sempre a iniciativa, quer se queira quer não, de nos anunciar, de velarem pela casa, pelos donos e pelos visitantes desta exposição.
Ricardo Fiúza, Maio de 2007
Tratando-se de um museu que privilegia as facetas e aspectos da vida privada e doméstica, de uma casa senhorial, procurei intervir numa área da casa que ao mesmo tempo evidenciasse bem estas características e também tivesse uma grande riqueza simbólica. Escolhi a zona do átrio e escadaria do edifício, para fazer uma reinterpretação e reinvenção pessoal das “Figuras de Convite”. Estas figuras únicas das casas senhoriais portuguesas, representavam pessoas (lacaios, damas, guerreiros), que trajavam a rigor e estavam colocadas nas entradas dos palácios, para dar as boas vindas e receber os visitantes. Eram um dos principais símbolos do protocolo aristocrático, do poder e riqueza da época barroca.
As duas obras que fiz para este projecto, têm como ponto de partida o imaginário da série de desenhos “Quem Pontua um Ponto…”, realizados por mim nos anos 90. São criaturas representadas em tamanho natural, em pose de vénia e reverência, retiradas de um possível conto fantástico. Estes seres alados com sentimentos humanos, têm atributos especiais, que remetem para a omnipresença e para um tom marcial (alabarda, escudo, capacete). Porque têm a capacidade de estar em todos os locais e em qualquer momento, e a função de serem intermediários do espaço e do tempo, entre o exterior e o interior do palácio, entre o passado e o presente. São os mensageiros e guardiães, executores das leis e protectores, que tomam sempre a iniciativa, quer se queira quer não, de nos anunciar, de velarem pela casa, pelos donos e pelos visitantes desta exposição.
Ricardo Fiúza, Maio de 2007
24/07/2007
14/07/2007
Carla Cruz - O Quarto de Costura
Numa casa senhorial barroca no centro de Braga instala-se o Museu dos Biscainhos, museu de artes decorativas, eu diria uma casa museu, no entanto nada do seu recheio pertenceu à casa, ou melhor, à família que sempre aí habitou, ao seu último proprietário, o 3º Visconde de Paço de Nespereira que vendeu o imóvel nos anos 70. Contudo apresenta-se ali a ficção da vivência da sociedade nobre portuguesa.Uma das salas está disposta de forma a apresentar um espaço vivido por mulheres e espelhando uma das pinturas da sala, instalou-se um estrado no centro, coberto com tapetes e almofadões, onde dificilmente imagino, se sentariam as mulheres para ler e dedicarem-se aos ditos lavores femininos, receberem as visitas e conversarem.
Numa outra ala da casa, replico a sala das mulheres, num quarto a que dão o nome de sala das abelhas por apresentar as paredes decoradas com este animal. De início é bastante inquietante, até porque me parecem moscardos e não abelhas, mas com o tempo habituamo-nos às cores e ao enxame.
Estrado e almofadões não poderiam faltar, mas actualizados com os padrões de hoje, os meus claro. Chá e línguas-de-gato são oferecidos ao que escolhem visitar-me e sentar-se para uma possível sessão de corte e costura. Havia um PC portátil com acesso à Internet, caso quiséssemos ver alguma coisa online; um Ipod ligado a colunas altifalantes, porque é bom ter música na sala; uma pequena selecção de livros importantes para mim neste contexto, The City of Ladies de Christine de Pizan, Caras Baratas_antologia de Adília Lopes, Scum Manifesto de Valerie Solanas, Embroideries de Marjane Satrapi e Dicionário da Crítica Feminista de Ana Gabriela Macedo e Ana Luísa Amaral; um conjunto de agulhas de tricotar e um conjunto de agulhas de fazer meia, porque se nada houvesse para fazer poderia ficar a pensar na morte da bezerra sem que ninguém desse por nada, porque para todos os efeitos estaria a tricotar, mas na realidade já não tricoto nada de útil há muito tempo, faço e desfaço, em algodão branco.
Recentemente o mundo tem visto crescer o movimento de mulheres que tricotam juntas, internacionalmente chamam a estes encontros: Stitch’n’Bitch, ou seja, corte e costura, aquilo que dizem que fazem as mulheres quando se encontram - falam da vida alheia. Mas acho que essencialmente falam da vida, partilham experiências, ouvem; o tricot é apenas pretexto.
Assim propus-me a habitar a casa museu dos Biscainhos, criando um espaço onde as pessoas pudessem conversar. Trazendo a minha possível sala de estar para o contexto do Museu. Assim fizeram os artistas da estética apelidada por Bourriaud de Estética Relacional, artistas como Rirkrit Tiravanija. Criticados, e preocupação crítica que partilho, por trazerem para os museus tácticas activistas e sociais e até mesmo situacionistas, domesticando-as, estetizando-as. Acabo por criar uma situação semelhante. Poderia dizer a ficha técnica à maneira desta estética: instalação com (todos os objectos nomeados) e pessoas. Perante um convite que aceitei para intervir no contexto da colecção e arquitectura do Museu dos Biscainhos, não poderia fazer outra coisa senão habitá-lo, contudo não creio que me insira nesta estética.
Carla Cruz, texto publicado em asaladasabelhas
foto: João Acciaioli Catalão
09/07/2007
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28/06/2007
20/06/2007
17/06/2007
a horse of a different color
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